sábado, 18 de junho de 2011

A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO DA FAMÍLIA/PROFISSIONAIS E LEGISLAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA PESSOA SURDA

 

POR: Clélia Regina Ramos
 
A palavra INCLUSÃO tem aparecido bastante nos últimos tempos. Seja na mídia, seja nos espaços educacionais, ou nos  (poucos) espaços ocupados pelos denominados “portadores de deficiência”.  A mim parece que com significados distintos entre si.

Para os Surdos, por exemplo, com os quais convivo há quase dez anos como pesquisadora da Cultura Surda e há três anos como Assessora de Imprensa da FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos),  a palavra INCLUSÃO  carrega um sentido  totalmente negativo, associado com perda de identidade cultural e lingüística. Os Surdos, segundo palavras do presidente nacional da entidade, senhor Antônio Campos de Abreu, “(...) a proposta de inclusão dos Surdos no sistema regular de ensino não se adequa às reais necessidades dos Surdos, além de relegá-los a um status de 'não-ouvintes' ”, transformando-os em pseudo-falantes de uma língua que não satisfaz suas necessidades de entendimento.

O que vem ocorrendo é um total desconhecimento da comunidade acadêmica no que se refere à cultura e à língua utilizada pela comunidade surda, desconhecimento que está encabeçado por profissionais que desconsideram a demanda imposta pela Surdez , acarretando com isso conseqüências globais na interação entre Surdos e ouvintes em todos os âmbitos.

Para a FENEIS não existe qualquer concordância a este respeito, uma vez que todos os Surdos dependem de estratégias lingüísticas que realmente satisfaçam sua demanda comunicativa, educacional e interativa. A barreira de comunicação  que existe pode ser transposta ao colocar-se o aluno Surdo em um espaço educacional onde professores e colegas ouvintes possam aprender e usar novas formas de interação. Daí, a defesa de uma escola onde existam salas de surdos e salas de ouvintes e que, em momentos diferenciados e planejados, alunos possam interagir, reservando momentos educacionais distintos para as práticas pedagógicas específicas de cada grupo.

Os prejuízos impostos pelas novas metas inclusivas podem acarretar novos traumas na vida dos Surdos brasileiros, proibidos de se comunicarem em sua língua natural desde o século passado, o que vem demonstrando o quadro de empobrecimento cultural e social dos mesmos. A escola para Surdos é uma realidade necessária para a FENEIS, que deseja ver realizado o desejo de que todo o Surdo possa ter um desenvolvimento adequado e compatível com seu potencial de cidadão brasileiro, considerando-se que suas demandas sejam respeitadas.”

Do outro lado da moeda, sob o ponto de vista da sociedade como um todo, que evidentemente inclui o espaço escolar, mas que, por hora, vamos deixar hipoteticamente de lado apenas para levarmos adiante nossa análise, a idéia da INCLUSÃO, em oposição à malfadada palavra SEGREGAÇÃO, é absolutamente favorável, positiva. Quem, no mundo globalizado dos nossos anos 90, tem coragem de, em público ao menos, ser contra a INCLUSÃO? Inclusão das mulheres no mercado de trabalho? Isso nem mais é objeto de discussão, de tão óbvio. Mas na realidade, todos sabem, que somos nós mulheres ainda segregadas nesse mundo do trabalho, com salários abaixo dos salários dos homens, por exemplo. O espaço público brasileiro não mais admite o, agora crime, preconceito racial.  Mas olhar ao redor em um Shopping Center da Zona Sul do Rio de Janeiro e olhar ao redor no campo de futebol de qualquer favela carioca....Em um quase não vemos negros, no outro, os brancos são poucos.

Despedir um empregado por ser homossexual, mesmo sendo ele um militar, por exemplo, nem pensar. Agora, se ele contrai o vírus da aids... No mínimo ganha uma licença para ficar em casa e não mostrar o estigma da doença.

O que se deduz do que afirmei? Que temos  um espaço público real e outro projetado, em implantação, o que seja. Que pode se tornar, que vai se tornar real, mas para isso ainda temos longo  caminho a ser percorrido.

Tentemos então entender o porque da rejeição da liderança Surda à INCLUSÃO escolar. Vamos tentar resgatar nesse breve texto, se é que isso é possível, mas tentemos, o processo histórico que desencadeou na existência de escolas especiais para surdos  no século XVIII.

Mas sem esquecer, porém, que estaremos traçando um trajeto sob o ponto de vista do outro, do ouvinte (o que fica claro quando percebemos que as poucas fontes existentes relatam a história da educação dos surdos, da sua reabilitação para o mundo ouvinte).  

Tarefa impossível seria tentar assumir o papel do surdo. 

Porém, como a idéia de tentarmos fazer esse  resgate desenvolveu-se a partir da leitura do texto La increible y triste historia de la sordera  do professor Carlos Sánchez, ex-assessor do ministro da educação da Venezuela e que em 1992 implantou naquele país uma política educacional bilíngüe para surdos (língua de sinais/língua oral), que por sua vez fundamenta sua pesquisa em textos de Michel Foucault, sentimo-nos  à vontade para dialogar com esses autores e aprofundar algumas questões.


Iniciemos esse painel da história da educação dos Surdos com Aristóteles ( 384-322 a.C.). Ele declara  que  audição  é, de todos os sentidos,  aquele que dá a  maior contribuição para o conhecimento,  já que o discurso só é compreensível porque a  fala é composta por palavras, cada uma delas um símbolo racional. Assim, para ele, um cego seria necessariamente mais inteligente que um surdo-mudo. 


Lucrécio ( 95-53 a.C.) sentencia “No hay arte possible para instruir al sordo”. 

Temos na Bíblia um relato de um milagre de Jesus que “cura” um surdo e este se põe imediatamente a falar. Interessante lembrar que a palavra para designar surdo e mudo é única “kophoi”. Não existe língua possível para eles. 


Essa imagem da antiguidade persiste ainda hoje no imaginário popular . O surdo-mudo. Como se a manifestação de uma condição fosse inseparável da outra. Apesar de hoje em dia sabermos que não se nasce “mudo” porque se nasce “surdo” o senso comum mantém o conceito invariável. Ainda o surdo-mudo.

 San Juan Beverly, em fins do século VI, relata que ensinou falar um jovem surdo . Mas  as  poucas menções  nessa época a qualquer tipo de “aproximação” com os surdos fica ainda por conta de curas milagrosas ou inexplicáveis. E sempre associadas com a fala.

Em 1198 o papa Inocêncio III autoriza o casamento de um “mudo” , argumentando que  “apesar de não poder falar, em sinais pode se manifestar”.     

O (re)nascimento  das cidades , as viagens colocando povos e culturas em contato parece dar ao surdo sua primeira leitura como grupo lingüístico/cultural. Podemos apontar esse momento como o do “surgimento” das línguas de sinais.  A estatística trabalha a favor dos surdos,  já que em  cada 10 mil habitantes,  em média 150 são surdos de todas as idades. É evidente que a  movimentação (lembrando  que as línguas de sinais são fala e não têm registro escrito) propiciada pelo novo momento histórico irá beneficiar o encontro dos iguais.  

É evidente também que eles passam a ser notados. E notados como “diferentes”. Como os bufões, como os anões, como os dementes de toda espécie,  os surdos solitários  do feudo eram absorvidos como responsabilidade coletiva, assimilados, de uma certa maneira.

Já no renascimento, dentro desse conceito de mobilidade e início da construção de uma identidade surda, eles podem até mesmo incomodar o poder instituído, já que, em grupo, sinalizando,  podem parecer estrangeiros (perigosos, maldosos, larápios, da mesma maneira como  hoje em dia vemos explodir pelo mundo todo o medo dos imigrantes). 

A preocupação com eles leva à  necessidade de aproximá-los da “normalidade”. Surge então o primeiro “professor”  de surdos da história, o monge espanhol Pedro Ponce de León  (1520-1584), da ordem dos beneditinos,  a quem se atribui também a invenção do primeiro alfabeto datilológico (alfabeto manual) . Ele ensina a três filhos de nobres a escrita e  a  fala em grego, latim e italiano.  

O sucesso do monge, e, é claro, a nova concepção de mundo e de homem renascentista, traz ganhos reais para os surdos. E por toda Europa começam a aparecer  candidatos a essa nova “ciência”: ensinar os surdos a falar. Quais eram os recursos empregados não importavam. Assim, a comunicação gestual de todo tipo aparecerá  como recurso  na aquisição da fala.

O mais antigo texto em língua inglesa que descreve a língua de sinais como um sistema complexo no qual  “homens que nascem surdos e mudos (...) podem argumentar e discutir retoricamente através de sinais”  é de 1644 - Chirologia ,  de autoria  de J. Bulwer. Para ele, a Língua de Sinais era universal e seus elementos constitutivos “naturais”, o que corresponderia a icônicos. O mesmo Bulwer publica em 1648 Philocophus, dedicado aos irmãos surdos  Edward e William Gostwick, barões.  Nesse texto é afirmado que um surdo pode expressar-se perfeitamente através dos sinais  como o faria um ouvinte em sua língua oral.

Em 1775 uma data marcante: a fundação do  Instituto de Surdos e Mudos de Paris (atual Instituto de Jovens Surdos de Paris), onde o abade I'Epée ( 1712-1789) desenvolve seu trabalho de descrição da Língua de Sinais utilizada pelos surdos de Paris,  produzindo uma espécie de “dicionário” língua francesa/língua de sinais. Seu trabalho educacional com essa língua de sinais será conhecido e difundido por todo o mundo  como o  “método manual” ou “francês”.

Há uma mudança  radical na metodologia de ensino que vigorava no renascimento,  já que os alunos de l’Epée aprendiam a língua escrita e a língua de sinais, deixando a oralização de lado. Outro  ponto importante do trabalho do abade é que seus antigos alunos foram se tornando professores, trazendo uma mudança de comportamento inédita na comunidade surda. 

Nas décadas seguintes à divulgação dos trabalhos de l’Epée, e, em virtude da adoção de sua metodologia em inúmeros locais, os surdos de toda uma geração, não só na França, mas também na Rússia, Escandinávia, Espanha, Itália e Estados Unidos, puderam destacar-se e ocupar postos de importância na sociedade de seu tempo, coisa que de nenhuma maneira poderiam alcançar sem a educação que receberam, na falta da qual permaneceriam limitados às tarefas mais baixas ou a mendigar pelas ruas.” (Sánchez, 1990:51 citando Stokoe:1978).

Sánches ( p.53/54) lembra que as  concepções de L’Epée não escaparam, apesar do ineditismo da proposta,  dos preconceitos próprios de sua época, e que não poderia ter sido de outra maneira.  O abade acreditava que a língua de sinais que usavam os surdos era incompleta, devendo ser melhorada e universalizada. Com essa finalidade introduziu o que ele denominou de “signos metódicos”, que representavam as palavras da língua francesa que não existiam na codificação gestual, tais como preposições e artigos, entre outras. Em suas aulas utilizava sistematicamente os sinais naturais da língua de sinais completados com alguns signos de sua invenção, e  as frases eram estruturadas segundo a sintaxe do francês.


Apesar disso o abade entrou para a brevíssima história relatada dos surdos  como herói. Em um livro americano escrito por dois surdos encontramos que persiste até mesmo uma lenda apontando L’Épée como “inventor” das línguas de sinais , isso até mesmo entre os surdos.

Com a fundação, em 1790 da escola “gestualista” de Viena,  poderíamos afirmar a existência de uma  forte corrente  de valorização das línguas de sinais na educação de surdos.

Há porém um movimento que segue por outros caminhos. Com origem reconhecida na Alemanha , a filosofia que  denominamos Oralismo difundia o “método germânico”. Para seus teóricos, um dos problemas da educação dos surdos estava exatamente no uso da comunicação gestual e na existência de escolas  residenciais especiais para surdos, que potencializavam o problema.

No início do século XIX  os não resolvidos problemas  educacionais dos surdos, que não deixaram de existir com  as escolas gestualistas, sofrem uma forte influência dessa filosofia “otimista”, o  Oralismo, e mesmo na França  muitas crianças surdas acabam realocadas em escolas regulares.  Segundo Sánchez (p. 66) a experiência fracassa, já que por todos os lados surgem protestos de pais e professores dos ouvintes, temendo uma  “contaminação” . Fracassada ou não, a experiência desemboca  no Congresso de Milão (1880), que reúne professores de surdos e  decide expurgar da educação dos seus pupilos a língua de sinais.  Esse pensamento dominará a educação de surdos por quase cem anos , trazendo para as comunidades surdas prejuízos enormes. Sob o ponto de vista educacional nenhum avanço foi obtido,  já que a “normalização” do surdo, ou a exigência de que ele fale, de que ele faça leitura labial, de que ele se comporte como um ouvinte,  não advém de decretos. As questões discutidas hoje em dia pelos educadores oralistas são absolutamente as mesmas que as de dois séculos atrás. Sob o ponto de vista cultural, a proibição do uso da língua de sinais no espaço escolar repercutiu profundamente nos grupos organizados de surdos, gerando seu enfraquecimento.

Mais uma vez a história dá voltas e, desde 1960, quando nos Estados Unidos o lingüista William Stokoe publica um trabalho provando serem as línguas de sinais  línguas naturais com todas suas propriedades, inicia-se um repensar sobre a questão da surdez, que dará origem à filosofia da Comunicação Total e posteriomente ao Bilingüismo. O surdo passa a ser encarado como minoria  bilíngüe e bicultural e as propostas educacionais, culturais, sociais partem dessa hipótese, construindo uma nova visão da Surdez. Mais uma vez os Surdos têm suas línguas de sinais aceitas .

Nesse ponto nos encontramos agora. Por todo o mundo há a valorização efetiva das línguas de sinais na educação dos Surdos.

Falar hoje no Brasil em INCLUSÃO escolar, evidentemente, significa para a Comunidade Surda politizada, sabedora do seu passado  de mudanças radicais, do Surdo como uma peteca na mão dos educadores de Surdos, um retrocesso. O medo do desaparecimento de uma Cultura e uma língua que a duras penas tem sobrevivido. 

Além de pesquisadora e profissional engajada na luta dos Surdos brasileiros,  sou também mãe de um jovem surdo de quinze anos.

Meu filho nunca frequentou uma escola especial para Surdos. Durante 8 anos de sua vida Toríbio passou duas horas, 5 vezes por semana em uma clínica de reabilitação fonoaudiológica. Mais dois anos nessa jornada três vezes por semana. Após uma  mudança de cidade, ele passou a ser atendido duas vezes por semana com uma fono indivivual,  por 45 minutos. 

Ao completar 12 anos, decidimos conjuntamente que Toríbio  deixaria de freqüentar a fono,  em função do acúmulo de atividades normais de um adolescente (esportes, curso de informática) já que, além do tempo  dedicado ao estudo em casa  ele ainda conta com a ajuda de uma professora particular duas vezes por semana. 

Toríbio pode ser considerado oralizado, para o padrão de sua surdez profunda. Mas sua fala não é totalmente compreensível para muitas pessoas. Nunca foi reprovado na escola. Parece ser uma pessoa feliz.
A opção de se colocar uma criança Surda em escolas regulares traz infinitos problemas, que a cada dia nossa família  tem lutado para superar. Com amor e dedicação  em primeiro lugar, e em segundo e indispensável lugar, com muito apoio de profissionais  especializados. 

Isso tem  nos custado bastante tempo e dinheiro, que  arcamos  com sacrifício e com alguma ajuda externa. Enumero a seguir algumas delas:

Próteses (Toríbio teve 4 pares nesses anos), pilhas importadas e caras, fonoaudiólogos, psicopedagogos, terapeutas de vários tipos:  já fizemos  terapia familiar duas vezes,  e individualmente meu marido e eu cada vez que as coisas ficam “pesadas”, professores particulares desde a 5° série ( antes disso eu mesma fazia este trabalho),  e  as tais aulas de natação, judô, capoeira, esportes indicados para “acalmar” sua agitação.

Esse é apenas um dos preços pagos pela INCLUSÃO ESCOLAR DOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIAS. Estarão os idealizadores da política educacional inclusiva dispostos a pagar essa conta? 

Cabe a nós, pais, familiares, profissionais da área, amigos dos portadores de Deficiências e, evidentemente, os próprios Portadores de deficiência adultos, cobrá-la dos responsáveis por sua implantação, apresentando, sempre que possível nossa experiência  real, a experiência daqueles que vivenciam a situação. 



* O TEXTO ENCONTRA-SE EM SEU FORMATO ORIGINAL. ERROS GRAMATICAIS E DISTORÇÕES SÃO DE RESPONSABILIDADE DO AUTOR.

A DIFERENÇA NÃO IMPEDE A COMPETÊNCIA

 



BASEADO NO TEXTO: "A INTEGRAÇÃO DO SURDO NA ESCOLA", DE AUTORIA DE MARIA ANGÉLICA FISCHER RUSCHEL: http://www.fonoaudiologia.com/trabalhos/artigos/artigo-001.htm.
MINHAS SINCERAS DESCULPAS À Mª ANGÉLICA, QUE DESCOBRIU ATRAVÉS DE MEU BLOG, QUE SEU TEXTO HAVIA SIDO "ADAPTADO".




POR: Luana Curi Paixão


Depois de sancionada a lei 10.436 em 24 de abril de 2002, onde oficializou a LIBRAS (linguagem brasileira de sinais) no Brasil tem se ouvido muito sobre a deficiência auditiva, sobre o surdo e sua inclusão na educação.

Embora muito lentamente a LIBRAS está começando a ser conhecida por todo Brasil e junto com ela começa-se a ouvir sobre o sujeito surdo, sua linguagem e sua cultura.A comunidade surda viveu afastada, melhor dizendo excluída da sociedade ouvinte por preconceito, muitas vezes pela falta de conhecimento.

Quando falamos de relacionamentos do surdo na sociedade, vemos que há uma tentativa de superar está visão, trazendo a questão do respeito ás diferenças. Nem todos somos iguais. As diferenças existem e precisam ser respeitadas.

Quando a causa é a surdez, a comunicação fica prejudicada, já que a audição e a fala são os canais por onde a sociedade passa as suas informações. E, a realidade mostra que a diferença causada pela surdez acaba levando a marginalização social.

Para podermos respeitar estas diferenças precisamos conhecê-las em sua totalidade, e para isso é necessário entender em primeiro lugar como é está linguagem LIBRAS e como funciona.

LIBRAS, ou Língua Brasileira de Sinais é a língua materna dos surdos brasileiros e, como tal, poderá ser aprendida por qualquer pessoa interessada pela comunicação com essa comunidade. Como língua, esta é composta de todos os componentes pertinentes às línguas orais, como gramática semântica, pragmática sintaxe e outros elementos, preenchendo, assim, os requisitos científicos para ser considerada instrumental lingüístico de poder e força. Possui todos os elementos classificatórios identificáveis de uma língua e demanda de prática para seu aprendizado, como qualquer outra língua. Foi na década de 60 que as línguas de sinais foram estudadas e analisadas, passando então a ocupar um status de língua. É uma língua viva e autônoma, reconhecida pela lingüística. Pesquisas com filhos surdos de pais surdos estabelecem que a aquisição precoce da Língua de Sinais dentro do lar é um benefício e que esta aquisição contribui para o aprendizado da língua oral como segunda língua para os surdos.

Os estudos em indivíduos surdos demonstram que a Língua de Sinais apresenta uma organização neural semelhante à língua oral, ou seja, que esta se organiza no cérebro da mesma maneira que as línguas faladas. A Língua de Sinais apresenta, por ser uma língua, um período crítico precoce para sua aquisição, considerando-se que a forma de comunicação natural é aquela para o qual o sujeito está mais bem preparado, levando-se em conta a noção de conforto estabelecido diante de qualquer tipo de aquisição na tenra idade.

A História da Educação de Surdos: No século XVII surge a língua de sinais e a sua utilização no processo de ensino. O abade L'Epée foi um dos grandes responsáveis por esse avanço. Ele reuniu surdos dos arredores de Paris e criou a primeira escola pública para surdos e também a precursora no uso da língua de sinais.

Por ter resultado positivo, essa metodologia inaugurada na França se espalhou por toda a Europa e depois pelo mundo. Entretanto, o desenvolvimento durou pouco. Essa modalidade de ensino foi abafada pela força da Medicina e da Filosofia, que não acreditavam na capacidade da pessoa surda.

A partir do Congresso de Milão em 1880 adotou-se o oralismo, método que considera a voz como o único meio de comunicação e de educação para os surdos. Desde então, foram excluídas todas as possibilidades de uso das línguas de sinais na educação dos surdos. Atualmente, os surdos educados por esse método falam dos horrores e das perseguições que sofreram ao usarem a língua de sinais. Em 1960, com o fracasso do oralismo criou-se a metodologia da comunicação total, que durou muito pouco por ter sua concepção bem parecida com a primeira. Hoje o método de educação mais utilizado é o bilingüismo.

No Brasil também existiu e ainda existe certo preconceito com os surdos que fazem sinais o ouvinte ainda se sente mais à vontade com o surdo que fala. A oficialização da LIBRAS trouxe a língua de sinais um estatus de linguagem realmente valorizando sua atuação na comunicação dos surdos e no seu relacionamento com a sociedade ouvinte. Ela começa aos poucos a ser respeitado gerando um interesse maior dos ouvintes e dos próprios deficientes auditivos em aprendê-la e divulga-la.

"Devemos ser pacientes e esperar por métodos novos e por ocasiões para a pesquisa. Devemos estar prontos, também, para abandonar um caminho que tenhamos seguido durante certo tempo, se ele nos parecer estar caminhando para um fio incerto”.
Sigmund Freud (1948) Beyond The Pleasure Principlie (Além do Princípio do Prazer)


Extraído do livro “Audição em Crianças”.

* O TEXTO ENCONTRA-SE NO FORMATO ENCONTRADO NA INTERNET. ERROS GRAMATICAIS E DISTORÇÕES NÃO SÃO DE MINHA RESPONSABILIDADE.

TABELA DE INTENSIDADE SONORA

* PRECISAMOS TER CUIDADO COM A EXPOSIÇÃO POR MUITO TEMPO A SONS ACIMA DE 85 DECIBÉIS!!!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

SURDEZ SÚBITA

 

A surdez súbita é uma perda auditiva grave que geralmente afeta um dos ouvidos e ocorre em poucas horas embora a maioria dos pacientes recuperem totalmente ou parcialmente a audição dentro de 10 a 14 dias.

Este distúrbio pode não ter causa identificavel, mas normalmente ocorre como consequência de uma doença viral como a caxumba, sarampo, gripe, catapora ou mononucleose infecciosa, podendo também resultar de atividades físicas muito vigorosas, que lesa o ouvido interno devido à pressão acarretando em perda auditiva súbita.

Sintomas

O paciente acometido pela surdez súbita escuta um som explosivo no ouvido afetado quando a lesão ocorre pela primeira vez.
A surdez súbita pode ser acompanhada por tinido que é frequentemente persistente e por vertigem que normalmente desaparece em alguns dias.

Tratamento
Nenhum tratamento provou ser útil. O repouso ao leito é normalmente aconselhado, e o uso de corticóides é procedimento clínico comum.
Em certos casos, procedimentos cirúrgicos podem ser úteis.


FONTE: http://www.tuasaude.com/surdez-subita/


* O TEXTO ENCONTRA-SE EM SEU FORMATO ORIGINAL. ERROS GRAMATICAIS E DISTORÇÕES SÃO DE RESPONSABILIDADE DO AUTOR.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

E A HISTÓRIA SE REPETE...


REPORTAGEM: ALUNOS NÃO COMPARTILHAM A LÍNGUA NAS ESCOLAS REGULARES



A diretora de Políticas Educacionais e coordenadora de Ensino de Libras na Universidade Federal de Santa Catarina, Patrícia Luiza Ferreira Rezende, disse, em e-mail ao GLOBO, que é contra a forma como o Ministério da Educação executa a política de educação especial no país. "Infelizmente, a Lei da Libras, o decreto e a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência não têm sido cumpridos a contento pelo MEC. A atual política de inclusão insiste em colocar crianças surdas junto com as ouvintes, sem haver um compartilhamento linguístico entre elas. Nesses espaços, as crianças surdas oriundas de famílias ouvintes não adquirem sua língua natural de forma espontânea, como as crianças ouvintes que compartilham a mesma língua da sua família interagindo e obtendo informações e, assim, construindo o conhecimento de mundo, que é aprofundado na escola. Como haver inclusão se não há aquisição linguística pela criança surda?"
Em seguida, a professora, que é surda-muda, explica como o portador de surdez encara o aprendizado do português: "A língua de instrução utilizada em todos os espaços da escola inclusiva é o português. No máximo, os alunos contam com a presença de intérpretes de língua de sinais durante as aulas, o que muitas vezes torna inviável o ensino, já que a criança surda nem sequer domina Libras, muito menos possui conhecimento prévio do mundo por meio de língua nenhuma. Mas a metodologia de ensino continua sendo a mesma para surdos e ouvintes. O português é ensinado como primeira língua aos surdos, descumprindo a legislação."

O próprio Mec se contradiz ao apoiar uma lei que prevê ensino de português para surdos como segunda lei, mas na prática o fazer como ensino de primeira língua.
Além disso, muitas vezes a criança surda é a única na sala, permancendo isolada de seus colegas ouvintes. Mesmo que a escola ofereça curso de Libras às crianças ouvintes, elas não interagem na sua totalidade com as crianças surdas. E os surdos deixam de ter estímulos linguísticos em Libras o que traria o desenvolvimento na etapa de alfabetização adequado. Percebemos o fracasso da escola inclusiva nitidamente ao avaliar o desenvolvimento dos surdos. Temos duas pesquisas, uma feita pela USP e outra pela UFSC que provam esse fracasso. Segundo a pesquisa de mestrado da professora Mariana Campos, da UFsCar, 50% dos alunos de uma escola inclusiva se sentem tristes e frustrados por não encontrarem artefatos da cultura surda na escola.
O discurso do Mec acusa as escolas de surdos de serem segregacionistas. Isso é uma falácia. Cada vez mais, ganha força a tese de que a segregação é promovida pelas políticas educacionais que reconhecem diferentes línguas e culturas. O argumento é plausível, pois recorre à ideia de que, se queremos unir as pessoas, devemos colocá-las juntas e não separadas. Apesar de ser aparentemente aceitável, essa concepção de inclusão rejeita as diferenças culturais dos surdos e as especificidades linguísticas. Existe o imaginário de que basta colocar um intérprete na sala de aula, uma muleta para o aluno surdo, e estaremos promovendo a inclusão e o bilinguísmo. A maioria dos pesquisadores da área defende que reunir surdos em uma mesma escola ou sala de aula não significa separá-los do mundo ou torná-los mais dependentes. Ao contrário, os ambientes linguísticos que favorecem a vivência de uma língua de maneira espontânea fazem com que os sujeitos se tornem mais autônomos, pois eles alcançam o conhecimento de maneira mais rápida e eficaz. A experiência linguística plena faz com que as pessoas se sintam seguras nas interações sociais e na relação com seus pares. Além disso, quanto maior o desenvolvimento linguístico dos sujeitos, maior a capacidade de buscar conhecimento e de utilizá-lo livremente no seu cotidiano. Eles podem, de maneira independente, transitar no mundo e compreendê-lo. Assim, o conhecimento de mundo adquirido pelos surdos por meio uma língua natural, a Libras, seria mais eficiente.
Fonte: Site O Globo


TEXTO COPIADO NA ÍNTEGRA - OS ERROS DE ESCRITA E DISTORÇÕES QUE POSSAM HAVER EM RELAÇÃO À REALIDADE SURDA, FAZEM PARTE DA PRÓPRIA REPORTAGEM

REPORTAGEM: ALUNOS COM SURDEZ SÃO ATENDIDOS EM SALAS REGULARES




Intérpretes de Libras fazem o acompanhamento durante as aulas
Cerca de 870 estudantes com deficiência auditiva, da mais leve até a surdez, estão matriculados nas escolas da rede estadual. Graças à política de inclusão, desenvolvida pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), esses alunos frequentam as salas comuns aos demais estudantes. Eles participam das aulas com o apoio de um intérprete que faz a tradução simultânea da fala do professor, utilizando a Língua Brasileira de Sinais (Libra). Todos os estudantes com surdez que procuram a rede pública estadual são acolhidos.

Quando o estudante com surdez chega à rede pública de educação e faz a matrícula, uma equipe multiprofissional o avalia para identificar suas necessidades e, também, potencialidades. Aqueles alunos que já conhecem a língua de sinais são acompanhados durante as aulas e capacitados em Português para Surdos - uma segunda língua, complementar ao seu aprendizado. Os que ainda não sabem a Língua Brasileira de Sinais recebem, também, a formação necessária para dominar a Libra e acompanhar a turma em que está inserido. Quando faz a matrícula de um aluno com surdez, ou com qualquer outra deficiência, a escola recebe o suporte de que precisa para garantir o processo de inclusão do aluno.

Atualmente a rede estadual conta com 440 intérpretes de Libras distribuídos em salas de mais de 320 escolas em todo o estado. São profissionais capacitados para interpretar as aulas para os alunos que recebem também apoio dos professores de recursos. Em número de 391, os professores de recursos atendem os alunos em atividades no contraturno, ensinando Libras e também Português para surdos em salas de múltiplos recursos. Esses profissionais tornam o aprendizado dos estudantes com surdez um processo natural na rede pública estadual.

Em Goiânia, se concentra o maior número de estudantes com deficiência auditiva. São mais de 100 matriculados em 28 escolas regulares. Só o Colégio Estadual José Carlos de Almeida, no centro da capital, atende cerca de 40 alunos com deficiência auditiva. Em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana de Goiânia, 25 escolas estaduais atendem alunos com surdez. Em Trindade, o número de escolas com atendimento especial para surdos é de 22. No interior, Catalão atende estudantes com problemas auditivos em 21 escolas, Iporá atende em 20 unidades e Goianésia, em 16. Em todas as 38 subsecretarias regionais de educação há alunos com surdez sendo atendidos pelas escolas estaduais.

Além desse atendimento aos estudantes nas escolas, a Secretaria da Educação mantém em seus quadros 40 instrutores de Libras para capacitar os professores, estudantes, familiares e outros profissionais. Os instrutores são surdos, com formação superior e capacitação específica para ensinar Libras, tanto na escola quanto no Centro de Capacitação para os Profissionais da Educação às Pessoas com Surdez (CAS). Só no ano passado, o CAS prestou 400 atendimentos a pessoas interessadas em aprender a língua de sinais.

A Secretaria dispõe, ainda, de Centros de Atendimentos Educacionais Especializados (CAEE), que também oferecem cursos de Libras para alunos surdos que estudam nas escolas regulares. No contraturno, em vez de retornarem à escola, vão para essas unidades para receberem o atendimento específico. Atualmente, a rede conta com 30 CAEEs, sendo dez estaduais e 20 conveniados.

A inserção dos alunos com surdez nas salas comuns em escolas regulares é resultado dos esforços da Secretaria da Educação para oferecer na rede estadual uma educação cada vez mais inclusiva. A presença de um ou mais alunos com limitações numa sala de aula contribui para a formação de todos, despertando o respeito às diferenças e a solidariedade.
Goiânia, 13 de abril de 2011.
 Fonte: SEDUC GO


TEXTO COPIADO NA ÍNTEGRA - OS ERROS DE ESCRITA E DISTORÇÕES QUE POSSAM HAVER EM RELAÇÃO À REALIDADE SURDA, FAZEM PARTE DA PRÓPRIA REPORTAGEM

terça-feira, 14 de junho de 2011

APRENDI...

Aprendi....que ninguém
é perfeito enquanto não se apaixona.

Aprendi....que a vida é dura
mas eu sou mais que ela!!

Aprendi que...as oportunidades nunca se perdem
aquelas que desperdiças... alguém as aproveita

Aprendi que... quando te importas com rancores e amarguras a felicidade vai para outra parte.

Aprendi que... devemos sempre dar palavras boas... 

porque amanhã nunca se sabe as que temos que ouvir.

Aprendi que...um sorriso é uma maneira econômica de melhorar teu aspecto. 

 Aprendi que... não posso escolher como me sinto... mas posso sempre fazer alguma coisa.

Aprendi que...quando o teu filho recém-nascido
segura o teu dedo na sua mão tenta prendê-lo para toda a vida

Aprendi que...todos, todos querem viver no topo da montanha... mas toda a felicidade está durante a subida.

Aprendi que... temos que aproveitar da viagem
e não apenas pensar na chegada.

Aprendi que...o melhor é dar conselhos só em duas circunstâncias... quando são pedidos e
quando deles depende a vida.

Aprendi que...quanto menos tempo se desperdiça...
mais coisas posso fazer. 



(DESCONHEÇO A AUTORIA)

domingo, 12 de junho de 2011

LAMENTO OCULTO DE UM SURDO - POR SHIRLEY VILHALVA

 

Quantas vezes eu pedi uma Escola de Surdo e você achou melhor uma escola de ouvinte.
Várias vezes eu sinalizei as minhas necessidades e você as ignorou, colocando as suas idéias no lugar.
Quantas vezes eu levantei a mão para expor minhas idéias e você não viu.
Só prevaleceram os seus objetivos ou você tentava me influenciar com a história de que a Lei agora é essa...e que a Escola de Surdo não pode existir por estar no momento da "Inclusão".
Eu fiquei esperando mais uma vez... em meu pensamento...Ser Surdo de Direito é ser "ouvido"... é quando levanto a minha mão e você me permite mostrar o melhor caminho dentro de minhas necessidades.
Se você, Ouvinte, me representa, leve os meus ensejos e as minhas solicitações como eu almejo e não que você pensa como deve ser.
No meu direito de escolha, pulsa dentro de mim: Vida, Língua, Educação, Cultura e um Direito de ser Surdo.
Entenda somente isso!

LIVROS: CINDERELA SURDA E RAPUNZEL SURDA

Os livros Cinderela Surda e Rapunzel Surda são os primeiros livros de literatura infantil do Brasil escritos em língua de sinais (SignWriting), além de serem versões dos tradicionais contos que inserem elementos da cultura e identidade surda. Essas releituras inéditas das histórias são acompanhadas da escrita de sinais, ilustrações e uma versão em português. Voltadas para o público surdo infantil, as obras são o resultado da pesquisa desenvolvida por Lodenir Becker Karnopp, Caroline Hessel e Fabiano Rosa, intitulada “Letramento e surdez: uma abordagem lingüística e cultural”. O objetivo principal das edições é divulgar a língua escrita de sinais e incentivar as escolas a implantar essa disciplina.


 

Sinopse: A Cinderela e o Príncipe são surdos. No lugar do sapato de cristal, a personagem principal perde uma das luvas. A escolha da luva se dá em virtude desta peça ser uma referência às mãos, amplamente utilizadas pelos surdos do mundo inteiro para se comunicar.

 

Sinopse: Quando a Rapunzel foi raptada pela bruxa, ela percebeu que a menina não falava, mas tinha uma grande atenção visual. Rapunzel começou a apontar para o que queria e a fazer gestos para muitas coisas. A bruxa então descobriu que a menina era surda e começou a usar alguns gestos com ela.



FONTE: http://escritadesinais.wordpress.com/2010/08/30/cinderela%C2%A0surda-e-rapunzel-surda/

LIVRO: O EXAME PROLIBRAS

O Livro é um registro singular de uma experiência sentida e vivida por surdos e ouvintes durante os anos de 2006, 2007 e 2008 em todos os estados brasileiros. Um dos resultados de uma política educacional bem-sucedida são os dados apresentados neste livro.


PARA VER O LIVRO NA ÍNTEGRA E BAIXÁ-LO CLIQUE http://www.prolibras.ufsc.br/livro.html

REPORTAGEM: O DESAFIO DE ENSINAR PORTUGUÊS PARA ALUNOS SURDOS

Conheça as expectativas de aprendizagem para esses estudantes, desde a Educação Infantil até o 9º ano. Flexibilizar atividades e investir em experiências visuais contribuem para a inclusão

Ensinar uma língua escrita para quem desconhece a oralidade é um desafio para todos os professores com alunos surdos em suas turmas. As principais dificuldades não decorrem da surdez em si, mas da falta de conhecimento da Língua Portuguesa falada. Hoje, boa parte desses estudantes comunica-se com a Língua Brasileira de Sinais (Libras), uma língua visual-espacial, que possui estrutura própria.

Para ajudá-lo a incluir os estudantes com deficiência auditiva, organizamos uma síntese das principais expectativas de aprendizagem para esses alunos na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, quando matriculados em turmas regulares, com base nas principais orientações curriculares para o ensino de Língua Portuguesa para pessoas surdas, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

É importante lembrar que, mesmo que não alcancem os mesmos resultados obtidos pelos alunos ouvintes, os estudantes com deficiência auditiva precisam participar de todas as aulas. Se o aluno surdo ainda não for capaz de escrever um texto, faça com que ele contribua para as atividades escrevendo listas ou frases sobre o tema abordado. Produções coletivas ou em pequenos grupos também ajudam o aluno a se expressar melhor pela escrita. O importante é que ele sempre conte com o apoio visual da escrita. O professor deve registrar todas as atividades e utilizar recursos diferenciados - como letras móveis ou cores diferentes para designar elementos distintos de uma frase, por exemplo. Fazer com que o aluno surdo sente-se nas carteiras da frente é outra medida essencial, assim como  atuar em conjunto com o Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Educação Infantil

A maioria das crianças surdas nasce em famílias de ouvintes. Por isso, só aprende Libras quando entra na creche ou na pré-escola. Ao final desse período, espera-se que essas crianças consigam narrar histórias simples na língua de sinais. Utilizar cartazes com a representação de palavras em Libras e em Língua Portuguesa é uma ação que ajuda a por as crianças com deficiência auditiva em contato com a Língua Portuguesa escrita desde cedo - já que a apreensão desta língua é visual para o aluno surdo.      As imagens também devem ser bem exploradas pelos educadores durante os momentos de leitura. É importante que os pequenos possam observar as ilustrações e compreendê-las como elementos complementares à narrativa. O mesmo vale para a elaboração de listas. O educador pode organizá-las com as imagens dos objetos e os nomes correspondentes escritos em português e em sinais. O uso de DVDs de histórias contadas em Libras por outras crianças ou de DVDs de brincadeiras com regras interpretadas em Libras associadas às imagens são recursos importantes no dia a dia da pré-escola.
Embora todas as escolas regulares com alunos surdos matriculados tenham o direito de contar com um intérprete de Libras, é imprescindível que, desde muito pequena, a criança com deficiência auditiva seja orientada a olhar para o rosto do interlocutor. Assim, ela poderá observar expressões, gestos e sinais para, aos poucos, adquirir a capacidade de fazer a leitura orofacial, que será útil para as aprendizagens futuras e para a interação com os outros.


O erro mais comum


Tentar "oralizar" a criança surda - mesmo as que possuem resquícios de audição. O ideal é que todos dominem Libras para então aprender uma segunda língua, que é a Língua Portuguesa em sua modalidade escrita. A tentativa de oralização prejudica o desenvolvimento, pois impede que a criança aprenda tanto a Língua Portuguesa falada quanto a Libras.


Ensino Fundamental I

Ao chegar ao 1º ano, espera-se que os alunos com deficiência auditiva que passaram pela Educação Infantil saibam comunicar-se em Libras e sejam capazes de escrever o próprio nome. Mas vale lembrar que essas crianças começam o Ensino Fundamental sem conhecimento da Língua Portuguesa falada e, por isso, não partem do mesmo princípio que os alunos ouvintes para aprender a ler e a escrever.
A apropriação do sistema alfabético, nesses casos, se dá através da visão e, por isso, o planejamento de atividades intensas de leitura com interpretação em Libras e com a utilização de recursos visuais (como imagens e letras móveis) são ações fundamentais para que a criança seja alfabetizada em um contexto de letramento.


Orientações


Ao contar histórias para o aluno com deficiência auditiva, faça com que ele observe detalhes da escrita e da ilustração. As palavras grafadas sempre devem estar associadas ao seu significado interpretado em Libras. Elabore atividades de escrita de listas e organize coleções com a turma. Crachás com os nomes de todos podem ser usados em sala, assim como desenhos relacionados a palavras - a memória visual, para a criança com deficiência auditiva é muito importante.

O maior desafio para o aluno surdo é que ele compreenda a língua como prática social. O acesso a diferentes materiais escritos, portanto, é crucial para ampliar o conhecimento linguístico do aluno e fazer com que ele consiga produzir textos coerentes em Língua Portuguesa até o final do 5º ano.



Uma boa experiência


Ao receber uma aluna surda no 1º ano, a professora Graziele Kathleen Tavares Santana de Albuquerque, da EMEF Professora Dulce Bento Nascimento, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, a 83 quilômetros de São Paulo, colocou em prática os conhecimentos do curso de Libras que fez. Por tratar-se de uma classe de alfabetização, Graziele decidiu ensinar Língua Portuguesa escrita e Libras para toda a turma. "Eu percebi que as crianças queriam encontrar formas de se comunicar com a colega que não ouvia", conta. Para tanto, ela organizou jogos em Língua Portuguesa escrita, língua de sinais e imagens; fixou cartazes relacionando palavras, imagens e sinais; utilizou o dicionário trilíngue e leu histórias para as crianças interpretando-as em Libras. Aos poucos, as leituras passaram a ser interpretadas na língua de sinais pelos próprios colegas ouvintes.
O trabalho com a aluna do 1º ano - que continuou ao longo do 2º ano - fez com que Graziele conseguisse incluir a escola em um projeto da Prefeitura de Campinas. Para atender a demanda por intérpretes, a Secretaria de Educação criou as Escolas Pólo, localizadas em pontos estratégicos do município para incluir alunos com deficiência auditiva. Essas escolas contam com intérpretes para as aulas nas turmas regulares; um instrutor surdo, que ensina Libras aos que ainda não a dominam; e uma sala bilíngue - hoje, sob responsabilidade da professora Graziele - que oferece atendimento especializado aos alunos com deficiência auditiva na disciplina de Língua Portuguesa.


Ensino Fundamental II
A partir do 6º ano, espera-se que o aluno com deficiência auditiva seja capaz de escrever textos coerentes, mesmo que simples. Vale lembrar que coerência e coesão são qualidades distintas - a primeira refere-se à forma do texto, enquanto a segunda diz respeito aos aspectos semânticos. Devido às diferenças estruturais entre língua de sinais e língua oral, é comum que o aluno surdo tenha dificuldades para escrever textos coesos. Poucos conseguem fazer o uso correto de morfemas e as ligações entre palavras, orações e parágrafos. O mais importante é atentar para a coerência nas produções, mas isso não quer dizer que o educador não precise elaborar atividades regulares de leitura e de reestruturação de texto, para que o aluno aproprie-se cada vez mais da Língua Portuguesa escrita - considerada como segunda língua para os usuários de Libras.




Orientações 

Nesta etapa, é desejável que o estudante consiga interpretar e reconhecer textos de diferentes gêneros – biográficos, jornalísticos, científicos, crônicas, contos, poesia, relatos históricos etc. Ele vai precisar dominar o uso escrito da Língua Portuguesa para estruturar experiências e explicar a própria realidade. Organizar esquemas e estimular a produção escrita de notas e textos de opinião ajuda o aluno nesse processo. Atividades de leitura compartilhada em pequenos grupos; de leitura em Libras feita pelo intérprete ou pelo professor; e de leituras autônomas conferem mais segurança ao aluno.
Antes de ingressar no Ensino Médio, respeitadas as limitações, o aluno surdo precisa ser capaz de refletir sobre os principais aspectos da Língua Portuguesa. Mas lembre-se: o tempo de aprendizagem da pessoa com deficiência auditiva é diferente do de alunos ouvintes. Invista nas situações de sistematização de conteúdos, apresente ao aluno o que será feito, amplie o tempo de realização das atividades e atue sempre em conjunto com o profissional da sala de recursos, responsável pelo AEE.


Uma boa experiência

Os cerca de 900 alunos da Escola de Educação Básica Nossa Senhora da Conceição, em São José, região metropolitana de Florianópolis, convivem perfeitamente com os 45 colegas com deficiência auditiva. A escola tem oito intérpretes de Libras que acompanham as aulas em todas as turmas regulares, além de uma instrutora surda, que ensina Libras aos alunos com deficiência auditiva que ainda não a dominam. Os estudantes surdos também praticam a leitura no Atendimento Educacional Especializado, no contraturno. Tudo isso é possível graças ao apoio da Secretaria Estadual de Educação, por meio da Fundação Catarinense de Educação Especial.
O professor João Batista de Souza explora elementos visuais para ensinar Língua Portuguesa escrita aos alunos. Para trabalhar os verbos, ele elaborou tabelas com letras grandes, fixadas nas paredes da sala com as conjugações. O professor também criou ícones que indicam os diferentes tempos verbais. Para ensinar conteúdos como o vocativo, por exemplo, João mostrou diferentes modelos de correspondências aos alunos, destacou elementos importantes nas cartas e pediu para que os estudantes produzissem as próprias mensagens.
Para ensinar os numerais ele tirou cópias de folhas de talão de cheque e de notas fiscais para que fossem preenchidas pela turma. "Procuro trabalhar textos que estejam de acordo com o cotidiano dos alunos. Conteúdos que são trabalhados na 5ª série com os ouvintes precisam ser reforçados anualmente com os surdos. Cada texto é lido duas ou três vezes durante as aulas. Eles costumam confundir gêneros, trocam sinais de pontuação, cometem erros de concordância e apresentam vocabulário restrito. Mas conseguimos trabalhar esses pontos para que todos avancem", conta o professor, que também domina a Libras.


Quer saber mais?




Passos para a inclusão. Rossana Ramos, 48 págs., Editora Cortez, tel. (11) 3611-9616, 12 reais.





Fonte: Revista Escola



* O TEXTO ENCONTRA-SE EM SEU FORMATO ORIGINAL. ERROS GRAMATICAIS E DISTORÇÕES SÃO DE RESPONSABILIDADE DO AUTOR.
 

O FOLHETO




Todos os domingos à tarde, depois da missa da manhã na igreja, o velho padre e seu sobrinho de 11 anos saíam pela cidade e entregavam folhetos sacros.

Numa tarde de domingo, quando chegou à hora do padre e seu sobrinho saírem pelas ruas com os folhetos, fazia muito frio lá fora e também chovia muito. O menino se agasalhou e disse:

- Ok, tio padre, estou pronto.

E o padre perguntou:

- 'Pronto para quê?':

- 'Tio, está na hora de juntarmos os nossos folhetos e sairmos. '

O padre respondeu:

- 'Filho, está muito frio lá fora e também está chovendo muito. '

O menino olhou surpreso e perguntou:

-'Mas tio, as pessoas não vão para o inferno até mesmo em dias de chuva?'

O padre respondeu:

- 'Filho, eu não vou sair nesse frio. '

Triste, o menino perguntou:

- 'Tio, eu posso ir? Por favor!'

O padre hesitou por um momento e depois disse:

- 'Filho, você pode ir. Aqui estão os folhetos. Tome cuidado, filho. '

- 'Obrigado, tio!'

Então ele saiu no meio daquela chuva. Este menino de onze anos caminhou pelas ruas da cidade de porta em porta entregando folhetos sacros a todos que via.

Depois de caminhar por duas horas na chuva, ele estava todo molhado, mas faltava o último folheto. Ele parou na esquina e procurou por alguém para entregar o folheto, mas as ruas estavam totalmente desertas. Então ele se virou em direção à primeira casa que viu e caminhou pela calçada até a porta e tocou a campainha. Ele tocou a campainha, mas ninguém respondeu. Ele tocou de novo, mais uma vez, mas ninguém abriu a porta. Ele esperou, mas não houve resposta.

Finalmente, este soldadinho de onze anos se virou para ir embora, mas algo o deteve. Mais uma vez, ele se virou para a porta, tocou a campainha e bateu na porta bem forte. Ele esperou, alguma coisa o fazia ficar ali na varanda. Ele tocou de novo e desta vez a porta se abriu bem devagar.

 
De pé na porta estava uma senhora idosa com um olhar muito triste. Ela perguntou gentilmente:

-'O que eu posso fazer por você, meu filho?'

Com olhos radiantes e um sorriso que iluminou o mundo dela, este
pequeno menino disse:

-'Senhora, me perdoe se eu estou perturbando, mas eu só gostaria de dizer que JESUS A AMA MUITO e eu vim aqui para lhe entregar o meu último folheto que lhe dirá tudo sobre JESUS e seu grande AMOR. '

Então ele entregou o seu último folheto e se virou para ir embora.
Ela o chamou e disse:

-'Obrigada, meu filho!!! E que Deus te abençoe!!!'

Bem, na manhã do seguinte domingo na igreja, o Padre estava no altar, quando a missa começou ele perguntou:

- 'Alguém tem um testemunho ou algo a dizer?'

Lentamente, na última fila da igreja, uma senhora idosa se pôs de pé.

 
Conforme ela começou a falar, um olhar glorioso transparecia em seu rosto.

- 'Ninguém me conhece nesta igreja. Eu nunca estive aqui. Vocês sabem antes do domingo passado eu não era cristã. Meu marido faleceu a algum tempo deixando-me totalmente sozinha neste mundo. No domingo passado, sendo um dia particularmente frio e chuvoso, eu tinha decidido no meu coração que eu chegaria ao fim da linha, eu não tinha mais esperança ou vontade de viver.

Então eu peguei uma corda e uma cadeira e subi as escadas para o sótão da minha casa. Eu amarrei a corda numa madeira no telhado, subi na cadeira e coloquei a outra ponta da corda em volta do meu pescoço.

 
De pé naquela cadeira, tão só e de coração partido, eu estava a ponto de saltar, quando, de repente, o toque da campainha me assustou. Eu pensei:

-'Vou esperar um minuto e quem quer que seja irá embora.'

Eu esperei e esperei, mas a campainha era insistente; depois a pessoa que estava tocando também começou a bater bem forte. Eu pensei:

-'Quem neste mundo pode ser? Ninguém toca a campainha da minha casa ou vem me visitar. '

Eu afrouxei a corda do meu pescoço e segui em direção à porta, enquanto a campainha soava cada vez mais alta.

Quando eu abri a porta e vi quem era, eu mal pude acreditar, pois na minha varanda estava o menino mais radiante e angelical que já vi em minha vida. O seu SORRISO, ah, eu nunca poderia descrevê-lo a vocês! As palavras que saíam da sua boca fizeram com que o meu coração que estava morto há muito tempo SALTASSE PARA A VIDA quando ele exclamou com voz de querubim:

-'Senhora, eu só vim aqui para dizer QUE JESUS A AMA MUITO. '

Então ele me entregou este folheto que eu agora tenho em minhas mãos.

Conforme aquele anjinho desaparecia no frio e na chuva, eu fechei a porta e atenciosamente li cada palavra deste folheto.

Então eu subi para o sótão para pegar a minha corda e a cadeira. Eu não iria precisar mais delas. Vocês vêem - eu agora sou uma FILHA FELIZ DE DEUS!!!

Já que o endereço da igreja estava no verso deste folheto, eu vim aqui pessoalmente para dizer OBRIGADO ao anjinho de Deus que no momento certo livrou a minha alma de uma eternidade no inferno. '

Não havia quem não tivesse lágrimas nos olhos na igreja.

 
O Velho Padre desceu do altar e foi em direção a primeira fila onde o seu anjinho estava sentado. Ele tomou o seu sobrinho nos braços e chorou copiosamente.

Provavelmente nenhuma igreja teve um momento tão glorioso como este.

Bem aventurados são os olhos que vêem esta mensagem. Não deixe que ela se perca, leia-a de novo e passe-a adiante.

Lembre-se: a mensagem de Deus pode fazer a diferença na vida de alguém próximo a você.

Por isso...

- Me perdoe se eu estou perturbando, mas eu só gostaria de dizer que JESUS TE AMA MUITO e eu vim aqui para lhe entregar o meu último folheto.

AMIZADE É TUDO




Um filho pergunta à mãe:  
- Mãe, posso ir ao hospital ver meu amigo? Ele está doente! 
- Claro, mas o que ele tem?

 
O filho, com a cabeça baixa, diz:  
- Tumor no cérebro.  

 A mãe,  furiosa, diz: 

-E você  quer ir lá para quê? Vê-lo morrer? 

O filho lhe dá as costas e vai...
 

Horas depois ele volta vermelho de tanto chorar, dizendo:  
- Ai mãe, foi tão horrível, ele morreu na minha frente! 

A mãe, com raiva:  - E agora?! Tá feliz?! Valeu a pena ter visto aquela cena?! 

Uma última lágrima cai de seus olhos e, acompanhado de um sorriso, ele diz: 
- Muito, pois cheguei a tempo de vê-lo sorrir e dizer:  
' - EU TINHA CERTEZA QUE VOCÊ VINHA! '  

Moral da história:
A amizade não se resume só em horas boas, alegrias e festas.
Amigo é para todas as horas, boas ou ruins, tristes ou alegres.
 CONSERVEM SEUS AMIGOS!
O VALOR QUE ELES TÊM NÃO TEM PREÇO...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

ISENÇÃO DE IMPOSTOS E DESCONTOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA OU DOENÇAS INCAPACITANTES



Vocês sabiam que, qualquer pessoa que sofra de paralisia, câncer, lepra, AIDS, AVC e uma série de outras doenças incapacitantes seja total ou parcialmente, tem direitos a isenções de impostos, taxas, desconto no preço para compra de carros adaptados, passe livre em metrô e transporte coletivo, remédios gratuitos etc???

Pois ela tem. Uma mulher descobriu há muito pouco tempo, que estava com câncer de mama, começou a fazer pesquisas sobre tratamentos e descobriu um livro, escrito por uma advogada que também teve câncer de mama, sobre todos os direitos que essas pessoas têm e ninguém divulga.

Entre os direitos que podem ser requeridos estão:

- Aposentadoria integral (mesmo sem contar com o tempo necessário de contribuição ao INSS);
- Isenções de IR; CPMF; Contribuição Previdenciária etc.
- Se houver deficiência física: isenção de IPI; ICMS; IOF e IPVA (isenção VITALÍCIA de IPVA) na compra de carro especial, ou adaptado'. O preço do carro, nesses casos, cai em 30%. (trinta por cento)
- Direito ao saque total de FGTS e fundos PIS ou PASEP
- Direito da quitação de valor financiado (ANTERIOR À DOENÇA, CLARO) para compra de imóvel
- Atendimento médico domiciliar
- Remédios gratuitos etc.

Para maiores detalhes, procurem o livro: 'Câncer Direito e Cidadania', de autoria da advogada Antonieta Barbosa, publicado pela Editora ARX.

Caso vocês conheçam alguém que tenha câncer e esteja em fase de tratamento, forneçam o número de telefone do 'Hospital Santana', em Mogi das Cruzes: (11) 4727-6043. A pessoa interessada deve ligar antes e saber se o Hospital Santana tem ou não em estoque, remédio utilizado.

Caso eles tenham o remédio necessário, o fornecimento é gratis...

A mulher teve um câncer de mama simples, pouco invasivo, sem metástase, graças a Deus. E mesmo assim, ela terá que tomar um remédio por cinco anos. Cada caixa custa R$ 500,00 (quinhentos reais).
Imaginem o drama de quem tem câncer metastaseado, incapacitante.

O livro contém todas as informações sobre todas as doenças que são beneficiadas por leis que nós desconhecemos, que não são divulgadas, além dos procedimentos que devem ser adotados para receber tais benefícios.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

DENÚNCIA: SOU IRMÃO DO COLLOR

 

O ex-presidente Fernando Collor de Mello, hoje senador pelo PTB de Alagoas, está nova­mente às voltas com a Justiça. Desta vez, por motivos bem diferentes daqueles que o levaram a deixar o Palá­cio do Planalto pela porta dos fundos, acusado de corrupção. A razão da dor de cabeça, agora, é um processo movido por Amaury Cícero de França, morador da periferia de Brasília que tenta provar que é seu irmão. A ação corre em segredo e já tem mais de 400 páginas. Na tar­de do último dia 25 de abril, Collor re­cebeu a mais recente intimação. A or­dem judicial foi entregue em seu gabi­nete, no 13° andar do Senado. A juíza do processo quer que Collor se submeta a um exame de DNA. O teste pode, com 99,9% de certeza, determinar enfim se Amaury terá ou não o direito de carre­gar o último sobrenome do ex-presiden­te e, junto com ele, um naco da fortuna da família, calculada em mais de 50 milhões de reais. Com a pose de sempre, Fernando Collor evita o assunto, e tem descumprido sistematicamente as or­dens da Justiça. Já deixou de atender por três vezes à determinação para que fosse ao instituto de perícias da Polícia Civil brasiliense recolher material bio­lógico para o exame. Mesmo assim, Amaury não perde a esperança.


Funcionário terceirizado do Minis­tério das Comunicações, onde dá expe­diente como auxiliar administrativo, Amaury afirma ser filho do pai de Fer­nando Collor, o ex-senador Arnon de Mello, morto há 28 anos. Foi na campa­nha vitoriosa de Collor à Presidência, em 1989, que ele soube do possível pa­rentesco. Surdo, o rapaz, com 14 anos na ocasião, entendeu por leitura labial o que um primo dissera na sala ao ver Collor na televisão: "Esse aí é irmão do Amaury". O garoto pôs-se, então, a le­vantar informações sobre sua história. repleta de incógnitas - em sua certidão de nascimento, o campo destinado ao nome do pai sempre estivera em bran­co. Amaury começou, por óbvio, inda­gando a mãe. Aos poucos, a aposentada Jacy de França Meira foi contando o que até então escondia. A história é a que sustenta o processo que Amaury move para ser reconhecido como irmão de Fernando Collor.


Também alagoana, Jacy diz que te­ve um romance com Arnon de Me1lo nos tempos em que ele era senador. Ela trabalhava como telefonista da Tele­brasí1ia, a estatal que servia à capital, e fazer uma ligação naquela época tinha lá suas dificuldades. Para completar um interurbano, era preciso recorrer à central. Num belo dia de 1974, conta Jacy, o telefone tocou e era o senador Arnon pedindo uma ligação. A rápida conversa, diz ela, rendeu cinco encon­tros. "Dessa relação nasceu o Amaury", afirma. A ideia de pedir à Justiça o re­conhecimento da paternidade surgiu quando Collor era presidente, mas le­vou um tempo para ser posta em práti­ca. A ação foi ajuizada apenas em 2006, com a ajuda da defensoria pública, porque a famí1ia não tinha dinheiro para pagar advogado. Além de requerer o teste de DNA, Amaury lista sete tes­temunhas da suposta relação amorosa entre sua mãe e o pai de Fernando Collor. Religioso, ele nega estar inte­ressado em dinheiro. Mas, se for reco­nhecido, terá direito a parte do peque­no império que o falecido senador Arnon deixou. A fortuna inclui imóveis e o maior conglomerado de comunica­ção de Alagoas. Assim como Collor, seus três irmãos arrolados na ação têm se negado a fazer o exame. A Justiça pode entender a recusa como admissão de que as alegações de Amaury têm fundamento.


Enquanto a decisão não sai, Amaury, hoje com 36 anos, vai levando sua vida humilde. Ele ganha salário de 1.000 reais e mora num puxadinho de 12 me­tros quadrados no Paranoá, cidade-saté­lite de Brasília distante 6 quilômetros da lendária Casa da Dinda, onde Collor voltou a viver após se eleger senador. Procurado por VEJA, o ex-presidente ouviu calado e indiferente as perguntas sobre o processo. Com dificuldades de fala, Amaury amacia quando se refere ao suposto irmão, mas não muito: "Eu gostava dele quando era presidente, de­pois passei a não gostar quando ele fez coisas erradas, mas agora acho que ele está mudando para melhor". Será?


FONTE: VEJA, 01/06/2011