domingo, 7 de novembro de 2010

INSTITUTO CEARENSE DE EDUCAÇÃO DE SURDOS - ICES - POR NORMA CAMPOS


 

HISTÓRICO


A História da Educação de Surdos no Estado do Ceará começou a partir da intenção do Professor Hamilton Cavalcante de Andrade, em fundar uma Instituição que viesse atender pessoas com surdez. A idéia surgiu após ter conhecido o Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES no Rio de Janeiro quando então era estudante nesta cidade.

Ao retornar para Fortaleza, como professor das duas Universidades Públicas do Estado do Ceará (UFC e UECE) na área de linguística, usou de seu prestígio junto ao Secretário da Educação seu grande amigo, Joaquim de Figueiredo Correia, para implantar uma escola para surdos aqui no Ceará.

Por determinação do então Governador do Estado, José Parsifal Barroso, coube ao Secretário da Educação acompanhar de perto o trabalho de fundação do Instituto Cearense de Educação de Surdos, que teve seu primeiro prédio alugado à rua Visconde do Rio Branco.

Sob a direção do Professor Hamilton Cavalcante Andrade, foi montado um quadro de profissionais na área da surdez, e providenciado um curso no INES, do Rio de Janeiro, para os que não possuíam habilitação no ensino especial.  

A escola foi fundada em 25 de março de 1961, utilizando a filosofia oralista, onde se priorizava a fala, e permaneceu dessa forma até 2001.

O Instituto Cearense de Educação de Surdos – ICES é a única instituição pública estadual do Ceará destinada exclusivamente ao atendimento a pessoa surda.

Com 44 anos de existência, O ICES atende atualmente 520 alunos distribuídos em três turnos, nas modalidades de educação infantil e ensino fundamental.

A partir de três anos de idade, as crianças do Instituto são atendidos na sala de  estimulação precoce e ensino regular.

O Currículo e a carga horária são os mesmos da escola de ensino regular adaptados às condições específicas do Deficiente Auditivo – D.A., ou seja, a partir de 2002 foi incluída a Libras - Língua Brasileira de Sinais como língua primeira da escola atendendo assim às peculiaridades da deficiência; nessa perspectiva, a duração das turmas poderá também sofrer adaptações.

Sua sede possui 24 salas de aula (térreo e primeiro andar), Refeitório, quadra esportiva coberta, pátio de lazer, Secretaria, Sala de Professores, Multimeios, Sala de Vídeo, Sala de Artes, Oficina de Português, Estimulação Precoce e Laboratório de Informática.

O ICES conta ainda com serviços complementares como o Soe – Serviço de Orientação Educacional, Serviço de Supervisão Escolar e Intérpretes que auxiliam os professores em sala de aula.

Está agregado à escola desde 2003, o CAS – Centro de Apoio ao Surdo, que veio para contribuir junto à comunidade surda oferecendo treinamentos, capacitações e cursos, tanto para os surdos como para os profissionais que atuam na área de Surdez. São cursos da Libras para professores, alunos,  familiares e comunidade como um todo, oficinas de português e inglês para surdos, cursinhos pré vestibular para surdos, cursos de informática básica para surdos, atendimentos em grupos de psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia, psicomotricidade, professores itinerantes para acompanhamento das inclusões e reforço em língua portuguesa.

Nossos Objetivos

O ICES tem como meta principal o desenvolvimento da língua de sinais. Propõe-se a ser uma escola bilíngüe onde a LIBRAS deve ser respeitada como a língua natural do surdo. Para tanto, seus profissionais desde o ano de 2002 vêem sendo capacitados em língua de sinais para uma melhor interação e aprendizagem dos alunos. Nossos objetivos estratégicos são: elevar o desempenho acadêmico dos alunos, investir na formação continuada da equipe escolar e estabelecer normas de convivência e regulamentos escolares claros  e divulgar para a comunidade interna e externa.

Nossa Missão
O ICES é um instrumento na formação plena do aluno surdo, respeitando a sua cultura, sua língua, possibilitando meios para que ele possa crescer nos aspectos cognitivos, emocionais e sociais, transformando-o em um ser crítico e participante de nossa sociedade.

Nossa Visão de Futuro
Que os alunos sejam capazes de participar da sociedade, competindo igualitariamente em todos os segmentos.

Nossos Valores
Transparência:
Oferecemos à comunidade escolar transparência em todos os serviços prestados.

Respeito:
Oportunizamos dentro do ambiente escolar, o respeito pelo surdo, para que o mesmo possa desenvolver-se integralmente dentro de suas potencialidades tornando-se agente transformador da sociedade.

Criatividade:
Incentivamos a criatividade de nossa equipe escolar e de nossos alunos, através de atividades diárias que possuem relevante importância dentro da Proposta Pedagógica desta Instituição.

Participação:
Trabalhamos com a participação de toda a comunidade escolar em busca da melhoria da qualidade de ensino, visando sempre uma unidade na ação pedagógica objetivando o crescimento da aprendizagem da clientela surda.


Em 2001 novo Núcleo Gestor assume a direção deste Instituto, quando foi providenciado  o seu PDE – Plano de Desenvolvimento da Escola com a participação de todos que integram a comunidade escolar. A partir daí, metas, estratégias e ações foram propostas visando à melhoria da escola.

Iniciam-se os cursos da Libras – em parceria com a Feneis – Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos - CE para todo o quadro de profissionais da escola;  melhoria nas instalações físicas que estavam muito deterioradas; elaboração coletiva do regimento interno da escola  objetivando-se  estabelecer normas de convivência claras para toda a comunidade;  oferta de cursos de capacitação nas disciplinas críticas e seminários favorecendo o crescimento profissional da equipe escolar.

Em 2004 foi elaborada a GIDE da escola com uma formatação mais avançada e atual onde todas as atividades escolares estão evidenciadas.

Barreiras foram encontradas e enfrentadas, mas o esforço está sendo recompensado quando vemos o sucesso dos alunos no que diz respeito à aprendizagem e a inclusão social e escolar. Esta é a maior recompensa para os educadores desta instituição.

Norma Leite Barbosa Campos – Diretora Geral de 2001 a 2008
                                                          


* Esta acima, junto a mim na foto, é Norma, a ex diretora do ICES. Graças a ela e sua equipe maravilhosa, hoje a escola é outra. Ao iniciarem seu trabalho, em 2001, o ICES era uma escola onde havia problemas sérios de infraestrutura, interpessoais, profissionais sem capacitação, alunos sem aprendizado algum, entre outros. E Norma, com seu dinamismo e amor pela educação, resolveu mostrar que esse quadro poderia ser invertido. O ICES cresceu muito. Porém, em 2008 Norma se aposentou e a escola perdeu a MELHOR gestora que já teve até então. E digo mais: hoje, quem entra no ICES, nem acredita que é uma escola pública, pois inclusive fisicamente a realidade é totalmente diferente. Espera-se apenas que a equipe que lá se encontra, saiba aproveitar o legado deixado e dar continuidade a uma educação de qualidade e respeito ao surdo.

O CONCEITO DE QUALIDADE NA EDUCAÇÃO




Chegamos ao final da primeira década do século XXI e nossos gestores educacionais e seus consultores propalam fórmulas que parecem prato requentado ou mera transferência de técnicas empresariais de aumento de produtividade como soluções para um ofício peculiar. Falta de imaginação, talvez, ou discurso mercadológico de aceitação externa, o fato é que mais parece tentativa de excluir diretores, especialistas e professores do debate aberto sobre os rumos da educação, fazendo coro para envolver o grande público. Como se a saída para a educação fosse questão circunscrita à disputa da opinião pública, de mera formação de opinião. O que seria qualidade na área educacional?

Pelo discurso dos gestores públicos, as notas de avaliações sistêmicas, como Saresp, IDEB, Simave e outros. Seguindo esta trilha, a questão seguinte seria, por lógica, o que as avaliações sistêmicas deveriam investigar. Mas aí, topamos com um imenso silêncio. Hannah Arendt sugeria que a função da educação é a humanização, ou seja, a inserção dos educandos na humanidade, conformada por experiências plasmadas na linguagem, na escrita, na música, nas artes. A humanidade possui a memória dessas experiências transmitidas pela linguagem. Autores mais focados no sucesso individual sugerem que a qualidade da educação estaria centrada no progresso acadêmico ou de emprego-renda do educando.
Nossas avaliações sistêmicas partem de qual princípio? De um vago e generalizado desempenho dos educandos, sem que os não-gestores tenham qualquer condição de penetrar nesta fórmula mágica. Já temos ao menos duas décadas de experiências com avaliações sistêmicas externas a respeito do desempenho de nossos alunos. Mas pelos artigos e propostas apresentadas pelos gestores na grande imprensa, os avanços por eles promovidos foram pífios. Não chegaram a sinalizar os rumos a serem seguidos para a qualidade e sucesso tão propalados. Ao contrário. Dados recentes divulgados pelo IPEA indicam que apenas 13% dos jovens entre 18 e 24 anos freqüentavam universidade em 2007. Grande parte deles foi aluno avaliado por um dos modelos não revisados até hoje. Trata-se da faixa etária mais vulnerável ao desemprego em nosso país.
Os dados oficiais revelam uma situação ainda mais grave: menos da metade dos adolescentes entre 15 e 17 anos cursavam o ensino médio em 2007. E as disparidades regionais e entre campo e cidade nos aproximam de uma calamidade pública: 57% desses adolescentes que vivem nas cidades brasileiras freqüentam o ensino médio, índice que despenca para 31% no caso dos que residem no campo. E aí começamos a desvelar o mundo real da educação, e não este pasteurizado e inatingível pelos resultados das avaliações sistêmicas: a taxa de freqüência dos que têm renda mensal superior a cinco salários mínimos é dez vezes maior que os que percebem até meio salário mínimo. Daí que o foco da avaliação de desempenho estar circunscrito à escola, não avaliando o impacto da condição das famílias na performance escolar, ser algo pouco inteligente. Daí sustentar que a melhora do desempenho de nossos educandos ocorrer a partir de premiação de professores em relação à performance escolar ser um gasto desnecessário e de pouca evidência de sua eficácia.
Sem articulação de políticas públicas que fechem o círculo da formação de nossas crianças e jovens, envolvendo escola, sua família e comunidade, todas iniciativas se aproximam de tentativa e erro dos nossos gestores. Talvez, esta é a motivação para se tornarem tão apaixonados pelas fórmulas que os cidadãos não-gestores não compreendem em sua totalidade. Daí porque vários se envolverem com articulações políticas e de conquista da opinião pública cujo mote é envolver todos pela educação como se fora uma mobilização sem base social, cujos líderes são sua própria base. Porque é uma aposta e não uma certeza.
O processo educativo envolve muito mais que avaliações meramente quantitativas focadas no educando. Envolve o consórcio de professores e educadores que contribuem para a formação cotidiana do educando. Envolve o impacto de pais que se têm hábito de leitura ou práticas esportivas, estimulam que seu filho acolha como seu hábito a leitura e o esporte. Algo que já se estudou e comprovou desde os anos 30 do século passado. Também sabemos que o perfil do dirigente escolar impacta decisivamente no desempenho de alunos. Mas as avaliações da moda no Brasil não conseguem articular estes inputs.
No máximo, apresentam dados frios que não auxiliam os educadores a compreenderem por qual motivo 30% dos seus alunos não sabem interpretar textos complexos, ao contrário do restante. E, assim, lançam mão da tradicional e equivocada aula de reforço, que repete fórmula que já se revelou equivocada anteriormente. E o mundo gira, sempre no mesmo sentido. Enfim, marketing e educação nunca foram bons aliados. Educação não vive limitada às boas intenções. Trata-se de um tema lastreado em estudos e pesquisas que não geram respostas fáceis.
Por RUDÁ RICCI
Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais, do Fórum Brasil de Orçamento, consultor do sindicato dos trabalhadores na educação de Minas Gerais e sindicato dos especialistas de educação do ensino público municipal de São Paulo. 

Blog: http://rudaricci.blogspot.com/

sábado, 6 de novembro de 2010

INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

  1. LIBRAS quer dizer Língua Brasileira de Sinais;
  2. A legislação brasileira reconhece a LIBRAS na lei 10.436/2002, como meio legal de comunicação e expressão e outros recursos de expressão a ela associados;
  3. LIBRAS é uma língua diferente do português, como o inglês, o francês e o japonês;
  4. LIBRAS possui as suas características próprias de sintaxe, morfologia, semântica e contexto, como qualquer outra língua; 
  5. Cada país possui a sua língua de sinais, por exemplo:
    1. EUA = ASL = American Sign Language;
    2. França = LFS = Language Française de Signes;
    3. Itália = LSI = Lingua di Segnale Italiana;
    4. Portugal = LGP = Língua de Sinais Portuguesa, entre outros.
  6. As línguas de sinais de cada país são totalmente diferentes umas das outras. Existem países que possuem dialetos da sua língua de sinais, inclusive o Brasil;
  7. Quem sabe PORTUGUÊS e LIBRAS é considerado bilíngue;
  8. A língua de sinais portuguesa é bem diferente da LIBRAS. Um português surdo não consegue se comunicar com um brasileiro surdo, na língua de sinais, mas em mímica ou gestos;
  9. A maioria dos surdos não possui um entendimento claro do português escrito, pois sua língua materna é LIBRAS. É como alguém que aprende outra língua, mas não tem a oportunidade de praticá-la;
  10. A LIBRAS escrita é parecida com o português escrito, porém totalmente sem significado para quem não domina LIBRAS;
  11. É incorreto dizer que o surdo é analfabeto quando ele só é alfabetizado em LIBRAS;
  12. É incorreto dizer que o surdo é mudo. Ele não é mudo, apenas não aprendeu a falar o português. Ele pode emitir som, inclusive falar o próprio português quando é oralizado. Seu aparlho fonador está intacto;
  13. Existem aproximadamente 5.800.000 surdos no Brasil segundo o Censo IBGE 2000;
  14. Aproximadamente 60% dos surdos brasileiros não sabe ler português. Os restantes 40% sabem ler português mas nem todos têm entendimento claro desta língua;
  15. Existem surdos que aprenderam a falar através das vibrações vocais e a entender o que falamos através da leitura labial. São chamados de "oralizados";
  16. Quem não é surdo é chamado de "ouvinte";
  17. A legislação brasileira para acessibilidade de pessoas com deficiência é uma das mais avançadas do mundo;
  18. Através do Decreto 5.296/2004 a legislação brasileira determina que os órgãos da administração pública, as empresas prestadoras de serviços públicos e as instituições financeiras deverão dispensar atendimento prioritário em LIBRAS para a pessoa com deficiência auditiva.

fonte da pesquisa: http://www.bengalalegal.com/

A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - MITOS





MITO 1

A língua de sinais seria uma mistura de pantomima e gesticulação concreta, incapaz de expressar conceitos abstratos.

Tal concepção declara que os sinais não são símbolos arbitrários como as palavras, mas carregam uma relação icônica ou representacional de seus referentes. No entanto, vários estudos concluíram que as línguas de sinais expressam conceitos abstratos. Pode-se discutir sobre política, economia, matemática, física, psicologia em uma língua de sinais, respeitando-se as diferenças culturais que determinam a forma de as línguas expressarem quaisquer conceitos.


MITO 2


Haveria uma única e universal língua de sinais usada por todas as pessoas surdas.


Essa concepção ainda faz parte do senso comum. As pessoas normalmente perguntam se as línguas de sinais não são universais. Cada país apresenta sua respectiva língua de sinais. A língua de sinais americana é diferente da língua de sinais brasileira, assim como estas diferem da língua de sinais britânica, da língua de sinais francesa, e assim por diante.



MITO 3

Haveria uma falha na organização gramatical da língua de sinais, que seria derivada das línguas de sinais, sendo um pidgin sem estrutura própria, subordinado e inferior às línguas orais.


Em relação a essa concepção, pode-se comprovar que as línguas de sinais são completamente independentes das línguas faladas nos países em que são produzidas. Um exemplo disso são as diferenças entre as línguas de sinais brasileira e portuguesa, apesar dos respectivos países em que são usadas pelas comunidades surdas falarem a língua portuguesa. Assim sendo, é um erro pensar que as línguas de sinais são subordinadas às línguas faladas.


MITO 4

A língua de sinais seria um sistema de comunicação superficial, com conteúdo restrito, sendo estética, expressiva e lingüisticamente inferior ao sistema de comunicação oral.

A alegação de empobrecimento lexical nas línguas de sinais surgiu a partir de uma situação sociolingüística marcada pela proibição e intolerância em relação aos sinais na sociedade e, em especial, na educação. Entretanto, sabe-se que tais línguas desenvolvem itens lexicais apropriados a situações em que são usados. À medida em que as línguas de sinais garantem maior aceitação, especialmente em círculos escolares, registra-se aumento no vocabulário denotando referentes técnicos.


MITO 5

As línguas de sinais derivariam da comunicação gestual espontânea dos ouvidos.

A idéia de que as línguas de sinais não são línguas, mas sim apenas “gestos” que se originam na comunicação gestual espontânea, e portanto, universal, inferior e limitada, advém de longa data, quando acreditava-se que a linguagem estava associada à capacidade do ser humano de “falar”. Essa concepção histórica perpassou os preceitos religiosos e as questões político-sociais. As igrejas ensinavam os surdos a falarem para que esses confessassem sua fé., caso contrário, estariam fadados à queimar no inferno. Pelo contrário, obrigou-se o uso da fala, mesmo sendo essa bastante limitada, não produtiva e, na maioria das vezes, sem significado para o surdo.



MITO 6

As línguas de sinais, por serem organizadas espacialmente, estariam representadas no hemisfério direito do cérebro, uma vez que esse hemisfério é responsável pelo processamento de informação espacial, enquanto que o esquerdo, pela linguagem.


Bellugi e Klima (1990) apresentam resultados de pesquisas com surdos co m lesões nos hemisférios esquerdo e direito do cérebro. As pesquisas mostraram que aqueles com lesão no hemisfério direito tinham condições de processar todas as informações lingüísticas das línguas de sinais, mesmo sendo essas visuo-espaciais. Por outro lado, os surdos com lesão no hemisfério esquerdo tinham condições de processasr as informações espaciais não-lingüísticas, mas não conseguiam lidar com as informações lingüísticas. Portanto, tais estudos indicaram que as línguas de sinais são processadas no hemisfério esquerdo, assim como quaisquer outras línguas. Esse estudo comprova que a linguagem humana independe da modalidade das línguas.


POR: Ronice Muller de Quadros e Lodenir Becker Karnopp

VÍDEO: "QUE BOM QUE VOCÊ VEIO" - POR MARCIO MACHADO

Esse foi o vídeo de boas vindas que fizemos ao iniciar nossos trabalhos no CAS/CREAECE.
 Tivemos apenas meia hora para definir o texto, filmar e editar.
Mas para quem nunca havia criado um filme, até que ficou bom...

O "ator" é o maridão...

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO ILUSTRADO TRILÍNGUE DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS




O Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da Língua de Sinais Brasileira (Libras) é o primeiro dicionário de Libras do Brasil. É fruto de cinco anos de pesquisas intensivas no Laboratório de Neuropsicolingüística Cognitiva do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo conduzidas com informantes Surdos de várias organizações e professores Surdos da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) que têm como profissão o ensino da Língua de Sinais Brasileira, a Libras. Depois disso, durante um ano, o corpo de milhares de sinais do dicionário passou pelo escrutínio de revisores Surdos em reuniões semanais na Coordenação Nacional de Cursos de Libras da Feneis; e, após inúmeros aperfeiçoamentos no Laboratório de Neuropsicolingüística Cognitiva, foi plenamente aprovado. Este dicionário objetiva ser instrumento para a concretização da educação bilíngüe no Brasil e o resgate da cidadania do Surdo brasileiro. Compõe-se de três capítulos introdutórios, um corpo principal de sinais, um dicionário Inglês-Português, um índice semântico, um conteúdo semântico, três capítulos sobre educação em Surdez, e três sobre tecnologia em Surdez. O primeiro capítulo introdutório mostra como usar o dicionário; o segundo ilustra a soletração digital de letras, números e outras formas de mão da Libras; o terceiro explica e ilustra como ler e escrever os sinais de Libras em SignWriting. O corpo principal do dicionário contém os sinais que correspondem a 9.500 verbetes em Inglês e Português. A Ilustração do significado do sinal permite à criança Surda apreender o sentido do sinal, prescindindo do Português. A Ilustração da forma do sinal em estágios permite a animação gráfica dos sinais nos sistemas computadorizados de comunicação e busca descritos. A escrita visual direta em SignWriting objetiva sinalizar diretamente à mente do Surdo, assim como a alfabética fala à do ouvinte. Os verbetes em Português e Inglês permitem a indexação alfabética dos sinais e a tradução da Libras para o Português e o Inglês. A Classificação gramatical ajuda o Surdo a aprender a gramática do Português e a entender o uso das palavras. A definição lexical permite ao Surdo aumentar o seu vocabulário em Português e o seu conhecimento do mundo. Os exemplos de uso lingüístico de palavras e sinais aperfeiçoam habilidades de gramática e semântica, desenvolvendo o uso adequado das palavras pelo Surdo e dos sinais pelo ouvinte. A descrição da forma ou composição quirêmica do sinal permite ao neófito articular precisamente o sinal. O dicionário Inglês-Português lista alfabeticamente os 9.500 verbetes em Inglês e seus correspondentes em Português, o que indexa os sinais da Libras e permite ao Surdo usar esses sinais na leitura do Inglês, ao mesmo tempo que permite ao leitor do Inglês localizar qualquer sinal, mesmo desconhecendo o Português. Isto abre o mundo da Libras ao estudo lingüístico internacional, e abre o mundo da escrita em Inglês ao Surdo brasileiro. O índice semântico arrola as categorias e subcategorias temáticas, e o conteúdo semântico agrupa todos os sinais do dicionário nessas categorias, permitindo localizar os sinais aparentados em significado, facilitando sua aprendizagem, compreensão e uso pragmático na comunicação cotidiana. O primeiro capítulo sobre educação em Surdez descreve as abordagens educacionais e explica a evolução do oralismo à comunicação total, e desta ao bilingüismo. O segundo explica como a escrita visual direta de sinais SignWriting pode levar ao bilingüismo pleno. O terceiro explica os mecanismos de leitura em Surdos e ouvintes e ajuda a compreender paragrafias e paralexias semânticas cometidas por Surdos ao lidar com o código alfabético. O primeiro capítulo sobre tecnologia em Surdez explica os benefícios e problemas, e as indicações e contra-indicações do implante coclear. O segundo descreve um sistema de multimídia que usa sinais animados da Libras e voz digitalizada para telecomunicação, comunicação face a face entre Surdos e ouvintes, e comunicação por Surdos tetraplégicos impedidos de sinalizar devido a paralisia cerebral ou esclerose lateral amiotrófica. O terceiro descreve um sistema computadorizado de indexação e busca quirêmica de sinais que permite localizar diretamente qualquer sinais de Libras, tanto os deste dicionário, prescindindo da ordenação alfabética dos verbetes em Português, quanto os do sistema de comunicação aqui descrito, prescindindo da classificação semântica.

Editores: Fernando César Capovilla e Walkiria Duarte Raphael
Editora: Editora da Universidade de São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

A HISTÓRIA DA DATILOLOGIA




Woll (1977) faz um levantamento histórico do material impresso na Inglaterra sobre línguas de sinais, mostrando que a partir de 1880 começam a aparecer pequenos panfletos, provavel­mente destinados à venda para arrecadação de fundos, geralmente consistindo em ilustrações de sinais ( em fotos ou desenhos ), com ou sem descrições de como produzi-los.

Um panfleto denominado "Language of Silent Word" (1914) apresenta fotos de boa qualidade de 143 sinais e mais o alfabe­to manual. Até 1938, quando novo panfleto foi publicado pelo National Institute for the Deaf, essa foi a "cartilha" dos interessados em Língua de Sinais.

Em 1922 foi publicado pela British Deaf and Dumb Associa­tion, "The British Deaf Times", que, além das ilustrações de sinais continham informações e anedotas sobre surdos, ilustraç­ões do alfabeto manual e ilustrações sobre cenas surdas (uma festa), a visita da rainha Vitória à uma surda fazendo uso do alfabeto manual. 

Porém, os alfabetos datilológicos ou alfabetos manuais têm uma história um pouco mais antiga, coincidindo com as primeiras tentativas formais de educação de surdos. Vem do século XVI, com  o espanhol Pedro Ponce de Léon (1520-1584), monge da ordem dos Beneditinos e que viveu no monastério de Onã, em Burgos, a invenção do primeiro alfabeto manual conhecido, publicado por Juan Martin Pablo Bonet em 1620 em um livro intitulado  Reduccion de las letras y artes para enseñar a hablar a los mudos. O trabalho de Ponce de Léon está registra­do nos livros da insti­tuição religiosa que relata sucesso de uma metodogia que incluia datilologia, escrita e fala e levou seus três alunos surdos a falar grego, latim e italiano, além de chegar a um alto nível de compreensão em física e astronomia.

Em meados do século XVIII foi levado à França por Jacob Rodriguez Pereira e subseqüentemente para os Estados Unidos em 1816 ( através de Gallaudet) esse "alfabeto de uma mão", que pode ser reconhecido como o ancestral dos alfabetos manuais atuais. Outra corrente, o "alfabeto de duas mãos", atualmente ainda em uso na Inglaterra e algumas de suas ex-colônias, aparentemente não mantém relação com o alfabeto de Bonet, tendo suas origens menos claras. Segundo Woll, o alfabeto publicado anonimamente em 1698 com o nome de "Digitilíngua" deve ser o inspirador do atual.

Mesmo sendo resultado da pesquisa de ouvintes no sentido de ensinar o surdo a falar, a maior parte das comunidades surdas de todo o mundo utilizam a datilologia em suas línguas de sinais. Ela pode servir para palavras estrangeiras, nomes próprios que ainda não tenham recebido o "apelido" em sinal, nomes de lugares ou palavras novas.       


 AUTORA: CÉLIA REGINA RAMOS - jornalista da USP


FONTE: http://www.editora-arara-azul.com.br/

 
* O TEXTO ENCONTRA-SE EM SEU FORMATO ORIGINAL E NA GRAMÁTICA ANTIGA.

DECLARAÇÃO DE MADRI





A não-discriminação e a ação afirmativa resultam em inclusão social

Nós, mais de 600 participantes do Congresso Europeu sobre Deficiência, reunidos em Madri, saudamos calorosamente a proclamação de 2003 como o Ano Europeu das Pessoas com Deficiência, um evento que deverá conscientizar o público sobre os direitos de mais de 50 milhões de europeus com deficiência.

Nesta Declaração definimos a nossa visão, que se constituirá em parâmetro conceitual para as atividades do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência tanto em nível da União Européia como nos níveis regional, nacional e local.

PREÂMBULO
1. A deficiência como uma questão de direitos humanos
2. Pessoas com deficiência querem oportunidades iguais e não caridade
3. As barreiras na sociedade conduzem à discriminação e à exclusão social.
4. Pessoas com deficiência: cidadãos invisíveis.
5. Pessoas com deficiência constituem um grupo diverso
6. Não-discriminação + ação afirmativa = inclusão social

VER NA ÍNTEGRA: http://www.bancodeescola.com/madri.htm

RELATO DE UM SURDO



Eu sou apenas surdo. O som é um espetáculo. Senti-lo em minhas cordas vocais, leva-me a imaginá-lo o tempo todo. Na verdade, eu apenas não escuto. O por que destas portas fechadas? Igrejas, escolas, teatros, cinemas, postos de trabalho, faculdades e todos os outros lugares onde sou bem-vindo só por meio de um intérprete de sinais. Em que mundo estou? Do raiar do sol até a ascensão da lua, nada parece ter sido feito para mim. Escutar parece ser algo que distingue os ouvintes como superiores. Principalmente, quando eles nos classificam como deficientes. Deveríamos nos sentir culpados de sermos surdos? A sociedade só nos aceita quando nos tornamos "ouvintes" através das leituras labiais. A vida foi feita em benefício da compreensão mútua. Ignorar o surdo é como neutralizar uma planta que estava para ser árvore. Já não sinto a verdade. O mundo parece uma enorme mentira, daquelas que me sufocam, oprimem e silenciam meus sinais.


Cássio de Souza, historiador
(Extraído do Jornal Estado de Minas em 30/07/2000)

BEM VINDO À HOLANDA

Um dos textos mais belos que já vi de uma mãe falando sobre a chegada de um filho deficiente...
Aqui transformado em vídeo. Vale a pena ver!!!

CHAPEUZINHO VERMELHO SURDA

ACEITE AS DIFERENÇAS





Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos espinhos, percebendo esta situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhariam e se protegeriam mutuamente.
Mas, os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que forneciam calor.
E, por isso, eles tornaram a se afastar uns dos outros, voltando assim a morrer congelados.
Precisavam fazer uma escolha urgentemente:
Ou aceitavam seus semelhantes ou desapareceriam de vez da terra morrendo todos congelados.
Com sabedoria, decidiram voltar e ficar juntos.
Aprenderam, assim, a conviver com as pequenas feridas que uma relação muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor um do outro.
Sobreviveram!!

Portanto, pense bem:
nem sempre as melhores pessoas são aquelas que reúnem características perfeitas, mas aquelas que aceitam e os defeitos do outro, ultrapassam qualquer situação adversa e conseguem progredir.
A mesma coisa acontece na família...
AUTOR DESCONHECIDO

NOSSO PRIMEIRO LIVRO

 

Nossa felicidade tem sido enorme ao ver a aceitação por parte dos alunos e o desenvolvimento de todos no aprendizado da Libras

ESTRATÉGIAS PARA O APRENDIZADO DA LÍNGUA DE SINAIS





1 - FOCALIZE O ROSTO DO USUÁRIO DE LIBRAS, NÃO AS MÃOS. MANTENHA CONTATO OLHO NO OLHO.
2 - ENQUANTO UM SURDO ESTIVER PRESENTE, PROCURE MANTER O AMBIENTE EM LIBRAS.
3 - SEJA SEMPRE MUITO EXPRESSIVO NUMA CONVERSA EM LIBRAS. AS EXPRESSÕES FACIAIS TRANSMITEM OS SENTIMENTOS QUE PARA OS OUVINTES SÃO TRANSMITIDOS PELA ENTONAÇÃO DE VOZ.
4 - É RECOMENDÁVEL TREINAR SEMPRE O ALFABETO MANUAL. UMA SUGESTÃO É TREINAR DIGITANDO JORNAIS, PROPAGANDAS, ETC.
5 - PROCURE PARTICIPAR ATIVAMENTE DA CONVERSA COM O SURDO, DEMONSTRANDO VERDADEIRAMENTE SE ENTENDEU OU NÃO O QUE LHE FOI DITO ACENANDO AFIRMATIVAMENTE OU NÃO. ACENAR COM A CABEÇA PARA O SURDO, É UMA QUESTÃO CULTURAL.
6 - SOMENTE OS SURDOS PODEM CRIAR SINAIS, QUANDO ESSES NÃO EXISTIREM PARA EXPRESSAR UM CONCEITO.
7 - EVITE PEDIR AO COLEGA PARA TRADUZIR UM SINAL PARA O PORTUGUÊS. PERGUNTE AO INSTRUTOR SURDO. VOCÊ PODE ESTAR PERDENDO UMA EXPERIÊNCIA  DE COMUNICAÇÃO EM LIBRAS.
8 - OBSERVE TODAS AS CONVERSAS: ENTRE O INSTRUTOR E A TURMA OU O INSTRUTOR E UM DETERMINADO ALUNO, OU O INSTRUTOR COM OUTRO SURDO.
9 - NÃO TENHA RECEIO DE SINALIZAR E ERRAR. O ERRO FAZ PARTE DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM. PROCURE SOLTAR-SE E TENTAR.
10 - CERTIFIQUE-SE DE QUE HÁ CLARIDADE SUFICIENTE NO MOMENTO DA CONVERSAÇÃO COM O SURDO.
11 - MANTENHA-SE NO CAMPO VISUAL DO SURDO QUANDO ESTIVER FALANDO COM ELE.
12 - EXERCITE SEMPRE, PROCURE APROFUNDAR-SE.

BOA SORTE!!!



FONTE: LIBRAS – LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS – CURSO DE LIBRAS NÍVEL 1

A CARTILHA DA SURDEZ


Deficiência Auditiva: Perda total, parcial, congênita ou adquirida, da capacidade de compreender a fala por intermédio do ouvido. Manifesta-se como: 
Audição normal – de 0 a 15 dB.
Surdez leve – de 16 a 40 dB. Nesse caso a pessoa pode apresentar dificuldade para ouvir o som do tic-tac do relógio, ou mesmo uma conversação silenciosa (cochicho). 
Surdez moderada – de 41 a 55 dB. Com esse grau de perda auditiva a pessoa pode apresentar alguma dificuldade para ouvir uma voz fraca ou o canto de um pássaro. 
Surdez acentuada – de 56 a 70 dB. Com esse grau de perda auditiva a pessoa poderá ter dificuldade para ouvir.
Surdez severa – de 71 a 90 dB. Nesse caso a pessoa poderá ter dificuldades para ouvir o telefone tocando ou ruídos das máquinas de escrever num escritório.
Surdez profunda – acima de 91 dB. Nesse caso a pessoa poderá ter dificuldade para ouvir o ruído de caminhão, de discoteca, de uma máquina de serrar madeira ou, ainda, o ruído de um avião decolando.
 
A surdez pode ser, ainda, classificada como unilateral, quando se apresenta em apenas um ouvido e bilateral, quando acomete ambos ouvidos.

Prevenção:  Previna ou trate imediatamente os resfriados comuns e as infecções no ouvido;
Tomar remédios somente com recomendações médica, principalmente nos três primeiros meses de gravidez; Imunize as meninas que já podem procriar contra rubéola e evite contato com doenças infecciosas, especialmente se estiver grávida;
Faça se possível, um check-up regular, quando grávida;
Tenha seu bebê, se possível, com um médico, uma enfermeira ou uma parteira treinada;
Imunize a criança contra as doenças infecciosas como sarampo, caxumba ou infecções viróticas;
Nunca ponha objetos – especialmente pontiagudos – nos ouvidos;
Use proteção nos ouvidos, nos ambientes barulhentos.
É importante saber se o tipo de sangue da mulher combina com o sangue do futuro pai da criança. Existe uma vacina especial aplicada na maternidade logo após o primeiro parto ou aborto, evitando problemas nos próximos filhos;
A rubéola na gravidez é a maior causa da deficiência auditiva em bebês;
O conhecimento da saúde dos pais tem importância decisiva para a prevenção da surdez. Por meio de exames é possível detectar e tratar várias doenças prejudiciais à audição como: Sífilis, Toxoplasmose, Diabetes, Aids, Rubéola.

Sintomas:
Enquanto bebê:
Reconhece as pessoas que estão diariamente com ela, mas não reage com o som da fala destas pessoas;
Tem dores de ouvido freqüentemente e secreção (corrimento) nos ouvidos;
Não acorda com ruídos ou conversas;
Não reage a sons ambientais fortes, toques de campainha, batidas de porta, gritos...;
Balbucia até aproximadamente 6 meses;
Pára de balbuciar após os 6 meses;
Não vira o rosto em direção ao som de barulhos e vozes.
 
Na infância: Não reage a sons ou só reage a sons muito fortes;
Vira o ouvido melhor em direção a fonte sonora;
Ouve rádio e televisão em altura acima do normal;
Tem dificuldade em acompanhar aulas ou conversas onde haja várias pessoas envolvidas;
Demonstra dificuldade de compreensão da linguagem oral;
Apresenta atraso no desenvolvimento da fala;
Troca ou omite fonemas na fala e/ ou na escrita;
Fala em voz muito alta ou muito baixa;
Pergunta constantemente: Quê? Como? Hein?;
Fixa-se excessivamente nos lábios de quem fala;
É considerada desatenta, distraída;
Prefere se comunicar utilizando gestos e sinais;
Emite sons que não entende ao invés de falar;
Só atende quando a pessoa fala em sua frente;
Olha muito para a boca das pessoas que falam com ela;
Prefere explorar os objetos e o ambiente pelos olhos e pelo tato;
Demonstra desconfiança e dificuldade de socialização.

Quais são as causas?
Pré-natais:
a criança adquiri a surdez no período de gestação, sobretudo no primeito trimestre da gestação. Exemplos: Desordens genéticas ou hereditárias, grau de parentesco, fator RH, desnutrição, subnutrição, citomegalovírus, exposição à radiação ( raios X), diabetes, pressão alta, drogas, alcoolismo materno, sofrimento fetal, sífilis, herpes, rubéola (virótica), toxoplasmose, tentativa de aborto, medicamentos ototóxicos, traumas...
Peri-natais: a criança fica surda porque surgem problemas no parto.
Exemplos: parto pré-maturo, parto demorado, fórceps, traumas de parto, estrangulamento de cordão umbilical, anoxia (falta de oxigênio), icterícia grave do recém-nascido, infecção hospitalar...
Pós-natais: ocorre a surdez porque surgem problemas após o nascimento.
Exemplos: doenças infecciosas (otites, meningites, pneumonia, encefalite, escarlatina, caxumba, catapora, sarampo...), medicamentos ototóxicos (antibióticos, quimioterápicos...), lesões traumáticas (exposição contínua a ruídos de alta intensidade – explosões, walkman – traumatismo craniano, otosclerose – calcificação da cadeia ossicular – (martelo, bigorna e estribo), presbiacusia (surdez do idoso), outras anormalidades (síndromes), tumores, distúrbios metabólicos (hipotireoidismo, alergias, doença de Meniére, diabetes...).

Doenças infantis que podem causar surdez:  Doenças na infância, como as viroses (sarampo, caxumba e meningite), a febre tifóide e a difteria, podem causar perda auditiva grave, capaz de se manifestar de repente, durante a doença. Felizmente, só um número reduzido de pessoas portadoras dessas doenças desenvolve um problema auditivo. Perder audição por causa do vírus da caxumba é pouco comum, pois ele geralmente afeta apenas um ouvido, enquanto o outro permanece perfeitamente normal. O vírus da rubéola pode chegar a compromrter o desenvolvimento dos ouvidos do bebê ainda no útero. Os problemas surgem se a infecção bacteriana ou viral atacar a cóclea ou o nervo auditivo

MENINGITE: causa inflamação da membrana que envolve o cérebro. Além dessa infecção atingir a garganta, o nariz e os ouvidos, pode destruir o órgão de Corti e o nervo auditivo.
SARAMPO: O vírus pode levar a uma infecção no ouvido médio ou danificar a cóclea. Essas complicações podem surgir como resultado direto da infecção do sarampo, mas a vacinação preventiva pode afastar essas graves conseqüências.
CAXUMBA: Muito raramente pode ser causa de surdez temporária ou permanente. Durante a gravidez, a infecção pelo vírus da caxumba pode resultar em aborto espontâneo, porém não existem evidências de que possa causar mal-formações congênitas.
DIABETES: Afeta a capacidade de processar as informações transmitidas ao sistema nervoso central, dificultando a concentração e a compreensão de palavras.
 
IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PRECOCE: A surdez em bebês deve ser descoberta no nascimento ou, no mais tardar, nos primeiros meses de vida. Assim, pode ser iniciado o programa de estimulação precoce desenvolvendo mais rápido a linguagem. Estudos comprovam que bebês surdos que receberam intervenção até os 6 meses, apresentam melhor rendimento na aquisição da linguagem e da informação.  A partir da detecção precoce, é possível a realização de intervenções educacionais e fonoaudiológicas possibilitando assim, a sua integração à sociedade.

TESTE DA ORELHINHA: Todo recém-nascido deve realizar o exame de emissões otoacústicas, conhecido como “teste da orelhinha”. O procedimento é rápido, não acorda e não incomoda o bebê.
 
CUIDADOS COM O OUVIDO: 
Dores de ouvido freqüentes devem ser tratadas por um edico;
Não é aconselhável o uso de cotonetes ou qualquer outro objeto para coçar o ouvido, podem ocasionar ferimentos;
Remédios caseiros devem ser evitados, podem agravar o problema. A solução é procurar o otorrino;
Amígdalas aumentadas ou adenóides (carne no nariz) podem prejudicar o bom funcionamento do ouvido.

O QUE PODE SER FEITO: Levar a criança a um médico ou serviço especializado;
Fale com ela usando as mesmas palavras que você diria se ela pudesse ouvir. Só fale quando a criança estiver olhando para você. Espere até  que ela olhe. Suas palavras devem encontrar os olhos da criança, e não os ouvidos dela... fale devagar e claramente, sem exageros;
Ensine a palavra e mostre sempre o significado. Ex: Ao falar a palavra casa procure mostrar uma figura , ao falar a palavra  pé  mostre o pé da criança...
Não é preciso falar em voz alta, fale com tom natural.
Estimule a criança a se comunicar. Não esqueça que o amor e a paciência ajudam muito qualquer criança a se desenvolver;
Aceite qualquer esforço que a criança fizer para se comunicar. Use diferentes formas de linguagem – fala, expressão corporal e facial, movimento labial – para se comunicar;
Espere sempre que o surdo olhe para você antes de falar;
Fale de frente, pausadamente e de forma clara, pois uma boa articulação facilita a leitura labial pelos surdos;
Procure conversar buscando o contato visual, pois isso facilita a comunicação. Ao falar, não gesticule muito nem tenha qualquer barreira diante dos lábios para não dificultar a leitura labial;
Não fale com bala ou chiclete na boca;
Busque sempre um ambiente claro a fim de obter boa visibilidade na comunicação;
Não super proteja. Trate-a como uma criança “normal”, dizendo “não” quando necessário;
Estimule a criança sempre através de movimentos (exercícios), os lábios, língua, mandíbulas, bochecha, etc.;
Estimule a criança a brincar com outras crianças;
Use a expressão facial e corporal para demonstrar seus sentimentos, pois o surdo não percebe mudanças de tom ou de emoções através da voz;
Tenha calma, se você não entender o que uma pessoa surda está falando, peça para repetir e, se for preciso, escrever;
Ao abordar uma pessoa surda não adianta chamar, basta acenar;
Leve a criança à escola na idade certa. Não a deixe sem estudar. A aprendizagem irá acontecer e a criança se desenvolverá.

* MATERIAL PESQUISADO E EDITADO POR LÍLIA CAMPOS E MARCIO MACHADO

AS COMUNIDADES SURDAS DO BRASIL



Há pessoas surdas em todos os estados brasileiros e muitas destas pessoas vêm se organizando e formando associações pelo país que são as comunidades surdas brasileiras. Como o Brasil é muito grande e diversificado, essas comunidades se diferenciam regionalmente em relação a hábito alimentar, vestuário e situação sócio-econômica, entre outros. Estes fatores geram também variações lingüísticas regionais. 


As Comunidades Urbanas Surdas no Brasil têm como fatores principais de integração a LIBRAS, os esportes e interações sociais, por isso têm uma organização hierárquica constituída por: uma Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS); seis Federações Desportivas e, aproximadamente, 58 associações /clubes /sociedades / congregações, em várias capitais e cidades do interior, segundo dados retirados da Página dos Surdos (www.surdo.com.br/assonoma1.htm). 


A CBDS, fundada em 1984, tem como proposta o desenvolvimento esportivo dos surdos do Brasil, por isso promove campeonatos masculino e feminino em várias modalidades de esporte em nível nacional. Seus representantes são escolhidos, através de voto secreto, pelos representantes das Federações. Recentemente esta Confederação filiou-se à Confederação Internacional e os surdos brasileiros têm participado de campeonatos esportivos internacionais.


 As associações de surdos, como todas as associações, possuem estatutos que estabelecem os ciclos de eleições, quando os associados se articulam em chapas para poderem concorrer a uma gestão de dois anos, geralmente.


Participam também dessas comunidades, pessoas ouvintes que fazem trabalhos de assistência social ou religiosa, ou são intérpretes, ou são familiares, pais de surdos ou cônjuges, ou ainda professores que participam ativamente em questões políticas e educacionais e por isso estão sempre nas comunidades, tornando-se membros. Os ouvintes que são filhos de surdos, muitas vezes, participam dessas comunidades desde criancinhas, o que propicia um domínio da LIBRAS, como de primeira língua. Estas pessoas, muitas vezes, tornam-se intérpretes: primeiro para os próprios pais, depois para a comunidade.


Os surdos, que são membros das associações, estão sempre interagindo com outras associações de outros estados ou cidade, como também com as Federações, a Confederação e a FENEIS.


Diferentemente da CBDS, das Federações desportivas e associações, que se preocupam com a integração entre os surdos através dos esportes e lazer, a Federação Nacional de Educação e Integração dos surdos (FENEIS) é uma Entidade não governamental, registrada no Conselho Nacional de Serviço Social/CNAS e não está subordinada à CBDS, sendo filiada a World Federation of The Deaf.


A FENEIS foi fundada em 1987, quando os surdos resolveram assumir a liderança da Federação Nacional de Educação e Integração do Deficiente Auditivo (FENEIDA) que surgiu da iniciativa de várias escolas, Associações de Pais e outras instituições ligadas ao trabalho com Surdos. Sua sede é no Rio de Janeiro, mas já possui três regionais: Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo.


Atualmente com 100 entidades filiadas, a FENEIS atua como um órgão de integração dos surdos na sociedade, através de convênios com empresas e instituições que empregam Surdos, bem como tem promovido e participado de debates, seminários, câmera técnicas, congressos nacionais e internacionais em defesa dos direitos dos Surdos em relação à sua língua, à educação, a intérpretes em escolas e estabelecimentos públicos, a programas de televisão legendados, assistência social, jurídica e trabalhista.


Os surdos que participam dessas comunidades têm assumido uma cultura própria. A Cultura Surda é muito recente no Brasil, tem pouco mais de cento e vinte anos, mas convivendo-se um pouco com as Comunidades Surdas pode-se perceber características peculiares, uma identidade surda, como:


A maioria das pessoas Surdas prefere um relacionamento mais íntimo com outra pessoa Surda;


Suas piadas envolvem a problemática da incompreensão da surdez pelo ouvinte que geralmente é o “português” que não percebe bem, ou quer dar uma de esperto e se dá mal;


O surdo tem um modo próprio de olhar o mundo onde as pessoas são expressões faciais e corporais. Como fala com as mãos, evita usá-las desnecessariamente e quando as usam, possuem uma agilidade e leveza que pode se transformar em poesia.


Seu teatro já começa a abordar questões de relacionamento, educação e visão de mundo, própria das pessoas Surdas. Isso pode ser visto em peças que a Companhia Surda de teatro, no Rio de Janeiro, vem apresentando; 

      Os surdos, que freqüentam esse espaços de Surdos, convivem com duas comunidades e cultura: a dos surdos e a dos ouvintes e precisam utilizar duas línguas a LIBRAS e a língua portuguesa. Portanto, numa perspectiva antropo-sócio-lingüística, uma Comunidade Surda não é um “lugar” onde pessoas deficientes, que têm problema de comunicação se encontram, mas um ponto de articulação política e social porque, cada vez mais, os Surdos se organizam nesses espaços enquanto minoria lingüística que luta por seus direitos lingüísticos e de cidadania, impondo-se não pela deficiência, mas pela diferença.


      Vendo por esse prisma, pode-se falar de Cultura Surda, ou seja, Identidade Surda. O Surdo é diferente do ouvinte porque percebe e sente o mundo de forma diferenciada e se identifica com aqueles que também, apreendendo o mundo como Surdo, possuem valores que vêm sendo transmitidos de geração em geração independentemente da Cultura dos ouvinte, a qual também se inserem.


      FONTE: LIBRAS em Contexto – Tanya A. Felipe e Myrna S. Monteiro

      * O TEXTO ENCONTRA-SE EM SEU FORMATO ORIGINAL E NA GRAMÁTICA ANTIGA.

      CULTURA E COMUNIDADE SURDAS




      A palavra “cultura” possui vários significados. Relacionando esta palavra ao contexto de pessoas surdas, ela representa identidade porque se pode afirmar que estas possuem uma cultura uma vez que têm uma forma peculiar de apreender o mundo que os identificam como tal. 

      STOKOE, um lingüista americano, e seu grupo de pesquisa, em 1965, na célebre obra A Dictionary of American Sign Language on Linguistic Principles, foram os primeiro estudiosos a falar sobre as características sociais e culturas dos surdos. 

      A lingüista surda Carol Padden estabeleceu uma diferença entre cultura e comunidade. Para ela, “uma cultura é um conjunto de comportamentos aprendidos de um grupo de pessoas que possui sua própria língua, valores, regras de comportamento e tradições”.  Ao passo que “uma comunidade é um sistema social geral, no qual pessoas vivem juntas, compartilham metas comuns e partilham certas responsabilidades umas com as outras”. PADDEN (1989:5). 

      Para esta pesquisadora, “uma Comunidade Surda é um grupo de pessoas que mora em uma localização particular, compartilha as metas comuns de seus membros e, de vários modos, trabalha para alcançar estas metas.” Portanto, nessa Comunidade pode ter também ouvintes e surdos que não são culturalmente Surdos. Já “a Cultura Surda é mais fechada do que a Comunidade Surda. Membros de uma Cultura Surda se comportam como as pessoas Surdas, usam a língua das pessoas de sua comunidade e compartilham das crenças das pessoas surdas entre si e com outras pessoas que não são Surdas.” 

      Mas ser uma pessoa surda não equivale a dizer que esta faça parte de uma Cultura e de uma Comunidade Surda, porque sendo a maioria dos surdos, 95%, filhos de pais ouvintes, muitos destes não aprendem a LIBRAS e não conhecem as Associações de Surdos, que são as Comunidades Surdas, podendo tornar-se somente pessoas portadoras de deficiência auditiva. 

      As pessoas Surdas, que estão politicamente atuando para terem seus direitos de cidadania e lingüísticos respeitados, fazem uma distinção entre “Ser Surdo” e ser “Deficiente Auditivo”. A palavra “deficiente”, que não foi escolhida por elas para se denominarem, estigmatiza a pessoa porque a mostra sempre pelo que ela não tem, em relação às outras e, não, o que ela pode ter de diferente e, por isso, acrescentar às outras pessoas. 

      Ser Surdo é saber que pode falar com mãos e aprender uma língua oral-auditiva através dessa, é conviver com pessoas que, em um universo de barulhos, deparam-se com pessoas que estão percebendo o mundo, principalmente, pela visão, e isso faz com que eles sejam diferentes e não necessariamente deficientes. 

      A diferença está no modo de apreender o mundo, que gera valores, comportamento comum compartilhado e tradições sócio-interativas, a este modus vivendi está sendo denominado de “Cultura Surda”.   

      FONTE: LIBRAS em Contexto – Tanya A. Felipe e Myrna S. Monteiro


      * O TEXTO ENCONTRA-SE EM SEU FORMATO ORIGINAL E NA GRAMÁTICA ANTIGA.

      ALFABETO MANUAL E NÚMEROS EM LIBRAS

      VOCÊ PRECISA SER SURDO PARA ENTENDER









      Como é "ouvir" uma mão?
      Você precisa ser surdo para entender!
      O que é ser uma pequena criança
      na escola, numa sala sem som
      com um professor que fala, fala e fala
      e, então , quando ele vem perto de você
      ele espera que você saiba o que ele disse? 


      Você precisa ser surdo para entender!
      Ou o professor que pensa
      que para torná-lo inteligente
      você deve, primeiro, aprender
      como falar com sua voz
      assim... colocando as mãos no seu rosto
      por horas e horas  sem paciência ou fim
      até sair algo indistinto assemelhado ao som?

      Você precisa ser surdo para entender!
      Como é ser curioso
      na ânsia por conhecimento próprio
      com um desejo interno  que está em chamas
      e você pede a um irmão, irmã e amigo
      que respondendo lhe diz:
      "Não importa"?

      Você precisa ser surdo para entender!
      Como é estar de castigo num canto
      embora não tenha feito realmente nada de errado
      a não ser tentar fazer uso das mãos
      para comunicar a um colega silencioso
      um pensamento que vem, de repente, a sua mente?

      Você precisa ser surdo para entender!
      Como é ter alguém a gritar
      pensando que irá ajudá-lo a ouvir
      ou não entender as palavras
      de um amigo que está tentando
      tornar a piada mais clara
      e você não pega o fio da meada
      porque ele falhou?

      Você precisa ser surdo para entender!
      Como é quando riem na sua face
      quando você tenta repetir o que foi dito
      somente para estar seguro que você entendeu
      e você descobre que as palavras foram mal entendidas?
      E você quer gritar alto:
      "Por favor, me ajude, amigo!

      Você precisa ser surdo para entender!
      Como é ter que depender de alguém  que pode ouvir
      para telefonar a um amigo
      ou marcar um encontro de negócios
      e ser forçado a repetir o que é pessoal
      e, então, descobrir que seu recado
      não foi bem transmitido?

      Você precisa ser surdo para entender!
      Como é ser surdo e sozinho
      em companhia dos que podem ouvir
      e você somente tenta adivinhar
      pois não há ninguém lá com uma mão ajudadora
      enquanto você tenta acompanhar as palavras e a musica?

      Você precisa ser surdo para entender!
      Como é estar na estrada da vida
      encontrar com um estranho que abre a sua boca
      e fala alto uma frase a passos rápidos
      e você não pode entendê-lo e olhar seu rosto
      porque é difícil  e você não o acompanha?

      Você precisa ser surdo para entender!
      Como é compreender alguns dados ligeiros
      que descrevem a cena 
      e fazem você sorrir  e sentir-se sereno
      com a "palavra falada"
      de mão em movimento
      que torna você parte deste mundo tão amplo?
        

      Autores: Willerd e Madsen

      COMUNICAÇÃO

      Esse vídeo é simplesmente lindo...
      sempre o utilizo em sala de aula!

      ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE - ECA





      O ECA é um conjunto de normas do ordenamento jurídico brasileiro que tem como objetivo a proteção integral da criança e do adolescente, aplicando medidas, e expedindo encaminhamentos.

      Ele foi instituído pela Lei 8.069 no dia 13 de julho de 1990 e regulamenta os direitos das crianças e dos adolescentes inspirado pelas diretrizes fornecidas pela Constituição Federal de 1988, internalizando uma série de normativas internacionais:

      • Declaração dos Direitos da Criança (Resolução 1.386 da ONU - 20 de novembro de 1959);
      • Regras mínimas das Nações Unidas para administração da Justiça da Infância e da Juventude - Regras de Beijing (Resolução 40/33 - ONU - 29 de novembro de 1985);
      • Diretrizes das Nações Unidas para prevenção da Delinqüência Juvenil. 
      O Estatuto se divide em 2 livros: o primeiro trata da proteção dos direitos fundamentais a pessoa em desenvolvimento e o segundo trata dos órgãos e procedimentos protetivos.

      Encontram-se os procedimentos de adoção (Livro I, capítulo V), a aplicação de medidas sócio-educativas (Livro II, capítulo II), do Conselho Tutelar (Livro II, capítulo V), e também dos crimes cometidos contra crianças e adolescentes.

      Conceitos utilizados no Estatuto:
      Criança:
      Nos termos do art. 2º da Lei 8.069/90, considera-se criança a pessoa de até 12 (doze) anos de idade incompletos. É proibido qualquer tipo de trabalho adulto a menores de 14 anos, salvo na condição do aprendiz.

      Adolescente:
      É considerado adolescente, o sujeito com idade entre 12 e 18 anos.

      FONTE DA PESQUISA: http://pt.wikipedia.org/

      VEJA NA ÍNTEGRA: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm

      DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA



      Declaração dos direitos das pessoas com deficiência
      Resolução aprovada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas em 09/12/75


      A Assembléia Geral
      Consciente da promessa feita pelos Estados Membros na Carta das Nações Unidas no sentido de desenvolver ação conjunta e separada, em cooperação com a Organização, para promover padrões mais altos de vida, plenos empregos e condições de desenvolvimento e progresso econômico e social.

      Reafirmando sua fé nos direitos humanos, nas liberdades fundamentais e nos princípios de paz, de dignidade e valor da pessoa humana e de justiça social proclamada na carta.

      Recordando os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, dos Acordos Internacionais dos Direitos Humanos, da Declaração dos Direitos da Criança e da Declaração dos Direitos das Pessoas Mentalmente Retardadas, bem como os padrões já estabelecidos para o progresso social nas constituições, convenções, recomendações e resoluções da Organização Internacional do Trabalho, da Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas, do Fundo da Criança das Nações Unidas e outras organizações afins.

      Lembrando também a resolução 1921 (LVIII) de 6 de maio de 1975, do Conselho Econômico e Social, sobre prevenção da deficiência e reabilitação de pessoas

      Declaração.

      Resolução adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas 9 de dezembro de 1975 Comitê Social Humanitário e Cultural.
      Legislação Brasileira:
       
      * Constituição Federal de 1988:
      - art. 7º, XXXI, que proíbe qualquer discriminação no tocante a salário e critério de admissão do trabalhador portador de deficiência;
      - art.23, II, que atribui às pessoas jurídicas de direito público interno cuidar da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência;
      - art. 24, XIV, determinando a competência concorrente da União, Estados e Municípios em matéria de proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;
      - art. 37, VII,  que assegura por lei a reserva de percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência;
      - art.203, IV, que assegura assistência social aos necessitados, com habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária;
      - art. 203, V que garante um salário mínimo ao portador de deficiência que não pode prover sua manutenção;
      - art. 208, III que impõe ao Estado o dever de dar atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência;
      - art. 224 determinando que por lei sejam adaptados logradouros, edifícios e transportes  públicos às condições de utilização pelos deficientes;
      - art. 227, § 1º, II, que obriga a criação de programas de prevenção e atendimento especializado para aos deficientes, facilitando o acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos.


      · Lei 7.347/85, art.1º, IV, discorrendo sobre a Lei de Ação Civil Pública. Cabível em alguns casos para a aplicação de medidas e ações relacionadas aos direitos dos deficientes.

      · Lei 7.405, de 12.11.85, que dispôs sobre o Símbolo Internacional de Acesso para utilização por pessoas portadoras de deficiência;

      · Lei Complementar nº 53/ 1986- "Concede isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias - ICM, para veículos destinados a uso exclusivo de paraplégicos ou de pessoas portadoras de defeitos físicos".
       
      · Lei nº 7.613 - de 13 de julho de 1987 "Concede isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI na aquisição de automóveis de passageiros, e dá outras providências".
       
      · Lei nº 7.752 - de 14 de abril de 1989 "Dispõe sobre benefícios fiscais na área do Imposto sobre a Renda e outros tributos, concedidos ao desporto amador".
       
      · Lei 7.853, de 24.10.89, que dispõe sobre o apoio e integração social dos deficientes e institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos destas pessoas, disciplinado a atuação do Ministério Público, bem como define crimes e dá outras providências, prevendo crime a negação, sem justa causa, a alguém, por motivos derivados se sua deficiência, de emprego ou trabalho, assim como impedimento, sem justa causa, do acesso a qualquer cargo público, por idêntico motivo, estipulando pena de reclusão de um a quatro anos;
       
      · Lei nº 8.000 - de 13 de março de 1990 "Concede isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, na aquisição de automóveis de passageiros, e dá outras providências".
       
      · Lei nº 8.028 - de 12 de abril de 1990 "Dispõe sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, e dá outras providências".
       
      · Lei nº 8.069 - de 13 de julho de 1990 "Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências".
       
      · Lei nº 8.112 - de 11 de dezembro de 1990 "Dispõe sobre o regime jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais".

      · Lei nº 8.160 - de 08 de janeiro de 1.991 "Dispõe sobre a caracterização de símbolo que permita a identificação de pessoas portadoras de deficiência auditiva".
       
      · Lei nº 8.212 - de 24 de julho de 1991 "Dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências".
       
      · Lei 8.213/91, introduziu a chamada reserva de mercado, obrigando as empregadoras reservar certo número de cargos em percentuais aos beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiências;
       
      · Lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993 "Dispositivos referentes ao portador de deficiência, na Lei das Licitações".
       
      · Lei nº 8.686 - de 20 de julho de 1993 "Dispõe sobre o reajustamento da pensão especial aos deficientes físicos portadores da Síndrome de Talidomida, instituída pela Lei nº 7.070, de 20 de dezembro de 1982".
       
      · Lei nº 8.687 - de 20 de julho de 1993 "Retira da incidência do Imposto de Renda benefícios percebidos por deficientes mentais".

      · Lei nº 8.742 - de 07 de dezembro de 1993 "Dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras providências".
       
      · Lei 8.899, de 19.6.94, que concede passe livre aos portadores de deficiência no sistema de transporte coletivo interestadual.
       
      · Lei nº 8.909 - de 6 de julho de 1994 "Dispõe, em caráter emergencial, sobre a prestação de serviços por entidades de assistência social, entidades beneficentes de assistência social e entidades de fins filantrópicos e estabelece prazos e procedimentos para o recadastramento de entidades junto ao Conselho Nacional de Assistência Social, e dá outras providências".

      · Lei nº 8.989 - de 24 de fevereiro de 1995 "Dispõe sobre isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis para utilização no transporte autônomo de passageiros, bem como por pessoas portadoras de deficiência física e aos destinados ao transporte escolar, e dá outras providências".
       
      · Lei nº 9.029 - de 13 de abril de 1995 "Proíbe a exigência de atestados de gravidez e esterilização, e outras práticas discriminatórias, para efeitos admissionais ou de permanência da relação jurídica de trabalho, e dá outras providências".
       
      · Lei nº 9.045 - de 18 de maio de 1995 "Autoriza o Ministério da Educação e do Desporto e o Ministério da Cultura a disciplinarem a obrigatoriedade de reprodução, pelas editoras de todo o País, em regime de proporcionalidade, de obras em caracteres Braille, e a permitir a reprodução, sem finalidade lucrativa, de obras já divulgadas, para uso exclusivo de cegos".
       
      · Lei nº 9.263 - de 12 de janeiro de 1996 "Regula o § 7º, do art. 226 da Constituição Federal, que trata do planejamento familiar, estabelece penalidades e dá outras providências".


      Fonte: http://www.amputadosvencedores.com.br/

      DECLARAÇÃO DE SALAMANCA

       

      A Declaração de Salamanca, datada de 1994, trata dos Princípios, Política e Prática em Educação Especial.

      É uma resolução das Nações Unidas adotada em Assembléia Geral, a qual apresenta os Procedimentos Padrões das Nações Unidas para a Equalização de Oportunidades para Pessoas Portadoras de Deficiências.

      A Declaração de Salamanca é considerada mundialmente um dos mais importantes documentos que visam a inclusão social, junto à Convenção sobre os Direitos da Criança (1988) e à Declaração Mundial sobre Educação para Todos (1990).

      Faz parte da tendência mundial que vem consolidando a Educação Inclusiva.

      Sua origem é normalmente atribuída aos movimentos em favor dos Direitos Humanos e contra instituições segregacioanistas, movimentos iniciados a partir das décadas de 60 e 70 do século XX.

      para ver na íntegra:
      http://portal.mec.gov.br/


      fonte: Wikipedia