segunda-feira, 9 de abril de 2012

TRUPE DE TEATRO FORMADA POR SURDOCEGOS


Fundada em 2002, a companhia tem sido frequentemente convidada para apresentações nos Estados Unidos, Canadá e Europa.

Em 2007, o grupo Nalaga’at abriu seu próprio centro, com um Café que possui garçons surdos e um restaurante com servidores cegos. O espaço já foi visitado por cerca de 200 mil pessoas, e Tal diz que cada um deixa o lugar diferente do que entrou

Um grupo de 11 atores com deficiência auditiva e visual ilumina o palco do Nalaga’at Center, em Tel Aviv (Israel). Trata-se do único grupo profissional desse gênero no mundo.

Eles aprendem a encenar a peça por meio de mímica, linguagem de sinais e, sobretudo, toques. "Se alguém não consegue ver e ouvir, precisa tocar as pessoas e ser tocado por elas. Uma vez que o deficiente esteja aberto para isso, sua vida muda completamente", diz Adina Tal, diretora da trupe.

Em hebraico, "Na lagaat" significa "por favor, toque".



FONTE: http://www.cmdv.com.br/


* O TEXTO ENCONTRA-SE EM SEU FORMATO ORIGINAL. ERROS GRAMATICAIS E DISTORÇÕES SÃO DE RESPONSABILIDADE DO AUTOR.

ÓCULOS PERMITEM QUE DEFICIENTES VISUAIS POSSAM VER OBJETOS AO SEU REDOR



A Feira Anual de Ciências de Londres lançou em sua última edição um protótipo de óculos que promete ‘salvar a vida’ de quem tem algum tipo de cegueira. Ao utilizá-lo, a pessoa percebe objetos e outras pessoas.

"As pessoas podem colocar os óculos e ‘ver’ formas e cores brilhantes para que possam encontrar o caminho sozinhas", diz Stephen Hicks, pesquisador da Universidade de Oxford e desenvolvedor do projeto.

Os óculos têm duas micro-câmeras na parte da frente e luzes LED na parte interna das lentes: "As câmeras são conectadas a um pequeno computador que leva as imagens de volta às lentes com luzes LED, que vão se acender quando a câmera captar a presença de uma pessoa ou objeto", explica Hicks.

Sua equipe pretende produzir óculos fáceis de usar, leves e que prometem ajudar muitas pessoas com algum tipo de cegueira.


FONTE: http://www.cmdv.com.br/


* O TEXTO ENCONTRA-SE EM SEU FORMATO ORIGINAL. ERROS GRAMATICAIS E DISTORÇÕES SÃO DE RESPONSABILIDADE DO AUTOR.

DEFICIENTES VISUAIS PODEM ACESSAR TEXTOS NA INTERNET


A leitura e escrita de pessoas com deficiência visual se dá principalmente por meio do sistema inventado pelo francês Louis Braille (1809-1852). Trata-se de um alfabeto cujos caracteres se indicam por pontos em relevo, distinguidos por meio do tato. A partir de seis pontos salientes é possível fazer 63 combinações para representar letras simples e acentuadas, pontuações, algarismos, sinais algébricos e notas musicais.

Um projeto de pesquisa, conduzido na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São José do Rio Preto, tem desenvolvido um console em braille para permitir o acesso de deficientes visuais ao conteúdo de páginas da internet. O trabalho visa à construção de um dispositivo eletromecânico, reconfigurável em tempo real, capaz de exibir todos os diferentes sinais do alfabeto braille em uma matriz de pontos que se elevam e abaixam em uma superfície de referência.

A pesquisa tem apoio da Fapesp na modalidade Auxílio a Pesquisa – Regular, no projeto intitulado "Desenvolvimento de um dispositivo anagliptográfico para inclusão digital de deficientes visuais", coordenado por José Márcio Machado, professor do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas.

Segundo Machado, com o dispositivo um deficiente visual pode acessar textos comuns disponibilizados na internet sem necessidade de impressoras especiais, e no tempo real do acesso.

– Montados lado a lado em um teclado de leitura, os dispositivos se ligam a um processador capaz de ler um texto em uma tela comum de computador e o converter para os sinais braille –, disse.

– O dispositivo poderá contribuir para ampliar as possibilidades de trabalho de deficientes visuais em todas as atividades que empregam computadores pessoais.

– O projeto foi finalista regional do Prêmio Santander de Ciência e Inovação de 2008, na categoria Tecnologia da Informação e Comunicação.

Além de Machado, participa da pesquisa Mário Luiz Tronco, especialista em robótica. O projeto está em fase de construção do hardware.

Machado ressalta que o dispositivo não converte arquivos de texto em áudio, uma vez que já existem outros equipamentos capazes de fazer isso.

– Não é do nosso conhecimento que existam no Brasil pesquisas para o desenvolvimento desse tipo de equipamento, mas sabemos que existem resultados na área de conversão de texto em voz –, disse.

A tecnologia de computação tem tornado possível o rompimento das barreiras em relação aos portadores de deficiência visual. Antes, um texto extenso demorava horas para ser criado manualmente em braille. Hoje, o processo leva minutos com o uso de impressoras específicas para o sistema. Por enquanto, o projeto envolve apenas a utilização de computadores de mesa (desktops).

– A miniaturização para uso em unidades portáteis (como notebooks) dependerá de desenvolvimentos e investimentos futuros –, disse Machado.

– Em uma etapa posterior, finalizados os testes com o protótipo, será possível determinar custos de produção em maior escala, mas as tecnologias envolvidas são todas acessíveis ao parque industrial do país –, afirmou.

De acordo com o coordenador do projeto, o próximo passo será disponibilizar o dispositivo para testes com deficientes visuais.

– Também pensamos em realizar uma generalização da ideia original para representar, por matrizes de pontos reconfiguráveis com maior dimensão, gráficos e figuras simples, que seriam reconhecidos pelo usuário também por via tátil. Isso seria muito importante, por exemplo, para o ensino de conceitos matemáticos avançados –, apontou.

Em relação às limitações, Machado aponta que a principal é falta de mão de obra especializada, – que acaba reduzindo a velocidade dos desenvolvimentos.

A possibilidade de registro de patente é uma questão a ser examinada quando a etapa de testes terminar. O professor da Unesp conta que o grupo está elaborando um artigo para apresentação na Conference on Ecological Modelling, que será realizada em Xian, na China, em setembro.


Fonte: g1


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domingo, 8 de abril de 2012

PITTY GLADIADOR: LUTADOR DE JIU-JITSU CEGO



Dicas de um campeão, mas não de qualquer campeão. Pitty é um lutador diferenciado. Deficiente visual, mas não debilitado. Aos vinte anos, Pitty parou de enxergar. Um glaucoma congênito tirou sua visão. Aos 28, ele decidiu entrar na luta e encarar o jiu-jitsu. No esporte, Pitty encontrou o caminho para se desvencilhar das dificuldades da deficiência física e se reerguer. Mas como um deficiente visual consegue finalizar seus oponentes no tatame?

- Primeiro uso a audição, porque o ouvir é fundamental para o competidor. Depois, o tato. O restante é aprimorar a técnica. Eu consigo perceber, de acordo com a posição em que eu estiver, o que meu oponente pode fazer. Então, de certa forma, eu me previno – conta Pitty.

O professor Roberto Cruz é testemunha de que a técnica funciona.

- Todo oponente que pega ele pela primeira vez se dá mal. Ele tem uma audiência bem apurada, a ponto de ter a percepção de onde o movimento do oponente está vindo. Ele não enxerga, mas ouve o outro – conta o professor.

Mesmo com todas as explicações é complicado acreditar que apenas a audição e o tato derrubam lutadores que têm a visão a seu favor. Mas Pitty revela que sua maior vantagem vem justamente do adversário.

- Os meus oponentes me subestimam e, por isso, acabam me deixando à vontade – afirma.

Como resultado, Pitty acumula medalhas e autoconfiança. O jiu-jitsu preencheu mais do que a estante de premiações do lutador.

- Tenho 49: trinta de ouro, doze de prata e sete de bronze. Mas o jiu-jitsu melhorou minha autoestima, meu autocontrole e minha confiança. Agora sou Pitty Gladiador. Antes eu era deficiente visual, agora sou um “eficiente visual” e não sou mais um no meio da multidão.

E assim Pitty vai abocanhando títulos e vencendo as batalhas diárias.

- Ele é um vencedor na vida. Um exemplo – afirma, admirado, o professor Roberto Cruz.


Fonte: http://globoesporte.globo.com/


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COMO CEGOS CONGÊNITOS SONHAM???


Os sonhos das pessoas que já nasceram cegas são compostos por situações de diversos tipos, vividas e percebidas do modo como elas "veem" o mundo acordadas.

Todas as pessoas sonham e fazem isso várias vezes por noite. Muitas vezes, ao acordar, lembramos claramente do que vimos, do que passamos, como nos sentimos e quem estava no sonho. Mas é exatamente aí que surge uma interessante questão. Se os cegos de nascença nunca tiveram contato com a imagem visual, então, como são formados seus sonhos?

Segundo Liliane Camargos, psicóloga e mestre em teoria psicanalítica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), "os sonhos surgem no período REM do sono, em que a atividade cerebral é semelhante a da vigília". A psicóloga afirma ainda que os sonhos são fundamentais para uma boa saúde física e mental. "Eles possuem importância para aprendizagem, para transformar a memória de curta duração em memória de longa duração".

Além disso, acrescenta Eliane, o sonho "é um recurso do qual nosso aparelho psíquico se apropria para manifestar desejos inconscientes reprimidos". E ela garante que eles sempre têm um sentido, por mais bizarros que possam parecer.

"Os sonhos são feitos, perceptivamente, de materiais capturados pelos órgãos dos sentidos recolhidos no dia anterior ao momento do sono. Se uma pessoa possui uma memória perceptiva visual, auditiva, tátil, olfativa e gustativa, todos estes elementos podem aparecer reconfigurados nos sonhos", diz a psicóloga.

Por isso, segundo Liliane, as pessoas que já vieram ao mundo cegas sonham normalmente todas as noites usando as suas experiências. "As pessoas confundem muito o sonho com a percepção visual, por isso existe a dúvida se uma pessoa cega sonha. Isso acontece porque o sentido visual, para quem enxerga, se torna o mais utilizado e evidente, inclusive nos sonhos. Mas nada impede que uma pessoa com visão também sonhe sem imagens visuais".

No caso das pessoas que já nasceram cegas seus sonhos são compostos por situações de diversos tipos, vividas e percebidas do modo como elas "veem" o mundo acordadas, esclarece ela. "Seus sonhos são formados por imagens perceptivas, não visuais, como imagens auditivas, táteis, olfativas e gustativas. Mesmo sem a imagem visual, a sensação que um cego de nascença tem ao sonhar é a mesma de uma pessoa que possui a visão".

E então surge outra dúvida. Será que uma pessoa que perdeu a visão sonha de modo diferente de uma pessoa que já nasceu cega? De acordo com Liliane, quando uma pessoa perde toda a visão, ela sonhará com imagens visuais por um certo período. Mas com o tempo, tais imagens visuais irão se apagando de sua memória e ela passará a utilizar outros sentidos para sonhar.

"No caso de pessoas que possuem baixa visão, ou visão subnormal, elas sonharão assim como percebem o mundo acordadas, com imagens visuais incompletas", completa Liliane Camargos.


fonte: http://www.cmdv.com.br/


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CÃES GANHAM PROTETOR AUDITIVO PARA PASSEAR DE AVIÃO

 
 Criadora do produto queria levar seu labrador em voos curtos.
Cães das forças armadas no Iraque e no Afeganistão usam proteção.


Se seres humanos usam protetores auditivos principalmente para trabalhar em locais barulhentos, animais de estimação ganharam sua versão para poder passear de avião com seus donos.

Idealizados pela pela piloto norte-americana Michelle Macguire, que queria proporcionar uma viagem mais tranquila para seu labrador Cooper, os protetores auditivos são comercializados pela empresa Mutt Muffs. De acordo com reportagem do jornal britânico "Daily Mail". Michelle fez voos curtos acompanhada pelo cão com e sem a proteção para comprovar a utilidade do objeto. 

Produzido em cinco tamanhos, o produto que isola o barulho é usado por diferentes raças de cachorros e até mesmo por gatos. No site da empresa, há fotos de animais com policiais, em corridas de carros, em passeios de barco e outras situações.

Segundo a criadora, os protetores são usados por cachorros das forças armadas baseados no Iraque e no Afeganistão. Além de resolverem o problema dos inúmeros bichinhos em noites de fogos de artifício.



Foto: Divulgação 

em: 03/08/09 
FONTE: GLOBO.COM


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MIKE NEWMAN - PILOTO CEGO


Um gerente de banco britânico que tentou se tornar o homem cego mais rápido do mundo ao dirigir seu carro a mais de 301 km/h fracassou na tentativa. Mike Newman, 48 anos, esperava poder dirigir um "supercarro" a uma velocidade de quase 320 km/h, para bater o recorde de velocidade de um piloto cego.

Mas Newman teve que usar um carro reserva no domingo depois de seu carro principal, um Keating TKR, ter sido danificado durante um treino no último sábado. Com o carro reserva, ele não conseguiu bater o recorde atual, de 301 km/h, estabelecido pelo piloto turco Metin Sentuk.

Durante a tentativa, no sul do País de Gales (oeste da Grã-Bretanha), Newman foi guiado a partir de um helicóptero por seu pai e treinador. A equipe do piloto diz que vai esperar que o carro seja consertado para fazer uma nova tentativa.

 Fonte: Terra Notícias


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A HISTÓRIA DO MÉTODO BRAILLE



Louis Braille - o criador da técnica que trouxe liberdade e independência para os cegos

Louis Braille nasceu em Coupvray, pequena aldeia a leste de Paris, França, em 4 de janeiro de 1809. Braille era o filho mais novo de quatro irmãos, sendo duas mulheres. A sua vida foi humilde, em 1812, quando brincava na oficina do pai, feriu-se num dos olhos. A infecção progrediu, transmitiu-se ao olho são, causando cegueira total algum tempo depois. Pouco deve ter conservado de imagens visuais ou recordações dos rostos e dos lugares da sua infância.

Os pais souberam assegurar, da melhor maneira possível, a primeira educação do caçula. O pequeno Braille frequentou a escola da sua aldeia, após o acidente, foi estudar na instituição que Valentin Haüy, uma das primeiras pessoas na Europa a se preocuparem com a educação e integração sócio-profissional dos cegos, havia fundado, com o nome de Institut National des Jeunes Aveugles, ou em português, Instituto Nacional dos Jovens Cegos. Foi nesta época que Braille desenvolveu a base do desenvolvimento da sua destreza manual. No Instituto, Braille adotou o alfabeto comum para a leitura, que se traçava em relevo na expectativa de que as letras fossem percebidas pelos dedos. Para a escrita, utilizou caracteres móveis. Os alunos aprendiam a conhecer as letras e os algarismos, a combinar os caracteres para formar palavras e números e a construir frases. Tudo isso não passava de meros exercícios tipográficos.

O pai de Louis Braille teve conhecimento da existência da Instituto Nacional dos Jovens Cegos, em Paris, e escreveu repetidas vezes ao diretor para se inteirar dos trabalhos que eram realizados lá. Depois de algumas hesitações, decidiu-se pelo internamento para Braille. Na instituição, Braille estudou e leu livros impressos em caracteres ordinários, nos modelos de Haüy. Era habilidoso, aplicado e inteligente.

A vida de Braille foi transformada por causa de sua saúde. Muitas vezes ele teve que repousar por longos períodos. Em Coupvray, cidade natal de Braille, estão seus restos mortais desde 10 de janeiro de 1852, sua morte foi em Paris, no dia 6 do mesmo mês. No centenário da sua morte, em junho de 1952, representantes de 40 países foram a Coupvray e acompanharam a transferência do seu corpo para o Panteão dos Homens Ilustres. Era o reconhecimento da França, a gratidão dos cegos de todo o mundo, para quem Braille, mais do que um nome, é um símbolo. Símbolo da emancipação conquistada.


O Bicentenário de Braile

Como muitos dos avanços da humanidade nasceram das guerras, com o código primitivo que originou o Sistema Braile não foi diferente. O oficial da artilharia francesa Charles Barbier, queria ler mensagens nas trincheiras escuras sem usar nenhuma luz que chamasse a atenção do inimigo, dessa forma ele criou o primeiro sistema de leitura por tato. Quando tinha apenas 12 anos, o também francês Louis Braille, que era cego, conheceu o sistema, passou a utilizá-lo e após alguns anos, conseguiu melhorar significativamente o sistema de leitura através do tato.

Braille trocou a representação por sons (fonética) do método original pela representação por letras (alfabética) e reduziu os 12 pontos para apenas seis, formado por duas colunas com três pontos cada. O Sistema Braile representa letras, números, sinais de pontuação, acentuação, etc. Cada um dos signos é representado por pontos em relevo. O agrupamento de seis possibilita a constituição de 63 símbolos diferentes que servem para representar caracteres da literatura, da matemática, da informática e da música. O sistema foi inventado em 1825 e até hoje é utilizado em todo o mundo.

O Sistema Braile é um modelo de lógica, de simplicidade e de polivalência, que se tem adaptado a todas as línguas e a toda a espécie de grafias. Com a sua invenção, Louis Braille abriu aos cegos as portas da cultura, arrancando-os à cegueira mental em que viviam e mostrando-lhes horizontes novos na ordem social, moral e espiritual.

Apesar da sua eficiência em proporcionar o acesso das pessoas cegas a informações, leitura, estudo, etc. o sistema não conseguiu ainda progredir e atingir todos os meios da sociedade. Sendo assim, o cego enfrenta muitas dificuldades, pois dificilmente encontra outras pessoas que conheçam o sistema, e, na maioria das vezes, os equipamentos, setores públicos, e outros, não trazem as informações escritas em Braile. Torna-se difícil até mesmo utilizar o banheiro, pois não têm como saberem se é feminino ou masculino. Esse problema seria facilmente resolvido se as letras da placa na porta dos banheiros públicos tivessem a inscrição em Braile. Assim, vários outros se manifestam. Cardápios, cartazes informativos, placas com o nome das ruas, entre muitas outras. O sistema Braile ainda tem que ser difundido para que as pessoas cegas sejam realmente incluídas na sociedade e possam ter maior autonomia, o que trará uma vontade muito maior de viver para cada uma delas apesar da sua limitação.

A maioria dos historiadores aponta o ano de 1825 como a data do aparecimento do Sistema Braile, mas só em 1829 Louis Braille publicou a primeira edição do seu sistema. Nela havia 96 sinais agrupados em nove séries de 10 cada uma e mais seis suplementares. Apenas as quatro primeiras séries correspondem ao sistema que atualmente é utilizado. As restantes combinam pontos e traços, aproveitando elementos dos métodos anteriores de escrita linear. O processo de 1829 proporcionou uma excelente base de experimentação. Sabe-se que por volta de 1830 o Sistema Braile começou a ser empregado nas aulas para a escrita de exercícios. Porém, sua forma definitiva apareceu em 1837.


A educação dos cegos

Apesar da já existência do Instituto fundado por Haüy, era necessário um cego para imaginar um alfabeto tátil. E também foi preciso perseverança para impor o seu uso. Os professores e diretores de escolas especiais, eram contrários à adoção de um alfabeto especial para aqueles que não enxergavam. Por isso, agarravam-se ao princípio de Haüy segundo o qual a educação dos cegos não deveria diferenciar-se da dos outros estudantes, ou seja, em caracteres comuns. Só o impulso dos cegos que usavam o alfabeto Braile pôde obrigar os responsáveis pela sua educação a reconhecer os frutos que a aplicação deste alfabeto produzia nas escolas. O Instituto Nacional dos Jovens Cegos, em Paris, onde o Sistema Braile foi concebido e aperfeiçoado, demorou 25 anos a aceitá-lo de maneira definitiva. Aponta-se a data de 1854 como a da implantação do Braile na França.

Nos países ou regiões em que não era conhecido nenhum outro método de leitura e escrita para cegos foi diferente. Na América Latina a história da educação das pessoas cegas começou com o Sistema Braile. A chegada do Braile, o início da alfabetização e educação e também a criação de peródicos e bibliotecas para cegos foram fenômenos simultâneos.

No Brasil, a difusão do Sistema Braile começou em 1854. Neste ano, o Instituto Nacional dos Jovens Cegos, instaurou um método de leitura em língua portuguesa, registrado no Museu Valentin Haüy. Um brasileiro cego, José Álvares de Azevedo, regressou ao Brasil depois de ter estudado durante seis anos em Paris. O Dr. Xavier Sigaud, médico francês que prestou serviços a corte imperial brasileira, que também era pai de uma filha cega, Adélia Sigaud, conheceu o jovem e o apresentou ao Imperador D. Pedro II, conseguindo despertar o seu interesse para a possibilidade de educar os cegos. O médico foi o primeiro diretor do Instituto Imperal dos Meninos Cegos, hoje Instituto Benjamin Constant, inaugurado no Rio de Janeiro em 17 de setembro de 1854.

De todos os países de línguas europeias só os Estados Unidos se atrasaram muito em seguir este movimento. Na maior parte das instituições usavam-se os caracteres romanos juntamente com o New York Point ou Wait System. Neste sistema, o retângulo Braile tinha três pontos de largura por dois de altura. O acordo apenas surgiu no Congresso de Little Rock, em 1910.

Ler em Braile é muito fácil. Basta que se conheça os símbolos e pode-se ler normalmente, seja com o tato ou com a visão. Os caracteres são lidos da esquerda para a direita e até sinais de pontuação são representados através dos pontos em alto relevo. Assim quando uma pessoa desliza sobre o papel a ponta do dedo, sente os pontos e entende o que está escrito. Para escrever é necessário um pouco mais de técnica. São utilizados dois instrumentos chamados reglete e o punção. A reglete é uma placa de metal com orifícios em uma de suas faces. O papel, é colocado em cima dessa placa e pressionado com o punção, um instrumento semelhante a uma agulha, mas com a extremidade arredondada, para que, ao pressionar o papel, que é mais consistente que o normal, contra os orifícios da reglete, este não seja perfurado, e sim apenas marcado. O papel é marcado da direita para a esquerda, no sentido contrário ao da escrita. Ao terminar o papel é virado e pode-se ler normalmente.


A vida dos cegos pós-Braile

A vida dos cegos melhorou bastante após o desenvolvimento do Sistema Braile. Dispondo de um processo fácil de leitura, o gosto pelos livros estendeu-se amplamente entre os cegos e ocupou um lugar importante na sua vida. O conhecimento intelectual, sob todas as suas formas (filosofia, psicologia, teologia, matemáticas, filologia, história, literatura, direito e outros), tornou-se mais acessível aos cegos. Os benefícios do Sistema Braile estenderam-se progressivamente, à medida que as aplicações revelavam todas as suas potencialidades.

Nos dias de hoje as novas tecnologias apresentam aplicativos para valorizar o Sistema Braile. A drástica redução de espaço proporcionada pelo Braile eletrônico é exemplo disso. Um livro em Braile com 2000 páginas, no formato A4, por exemplo, pode ocupar um CD. Uma vez introduzido no computador, o usuário tem ao seu alcance toda a informação não gráfica disponível, que pode ler através de um terminal Braile. Um outro exemplo é a facilidade de imprimir textos em Braile. Introduzidos no computador, os textos podem ser submetidos a um programa de tratamento específico e sair numa impressora Braile.

Há também computadores que já conseguem traduzir do Braile e para o Braile. Atualmente há até alguns que conseguem imprimir páginas em frente e verso, reconhecer voz e transformá-la em Braile, entre outros recursos que facilitam o acesso de cegos à informática. Há também capas para teclado com as teclas em Braile. Estas se encaixam no teclado de modo que o cego pode digitar normalmente.

Há ainda outros equipamentos como brinquedos de montar, relógios que permitem a verificação das horas por meio do tato, e outros. Há equipamentos que não utilizam o Braile e sim o som, para que os cegos possam ter melhor acesso. Muitos sites, computadores, e sistemas em locais públicos, já fazem uso desse método.

Está cada vez mais comum a presença de livros sonoros, os audiobooks, nas livrarias brasileiras. Estes livros e a informática são muito importantes para o desenvolvimento cultural dos cegos, mas nada poderá ou deverá substituir o Braile como sistema base da sua educação. Tal como a leitura visual, a leitura Braile leva os conhecimentos que facilitam a assimilação daquilo que se lê. O Braile é, ainda, o único meio de leitura disponível para os cegos. Mesmo assim, é por meio dele que estas pessoas entram contato com a estrutura dos textos, a ortografia das palavras e a pontuação.


Outros aplicativos em Braile

Segundo notícia do site dos Correios, recentemente os cegos do Brasil passaram a dispor de um serviço postal pioneiro que lhes permite comunicar-se, por escrito, com as pessoas que enxergam. O Ministério das Comunicações e a Diretoria Regional dos Correios de Minas Gerais perceberam a importância e a necessidade de se criar o Serviço Postal Braile, que representa grande avanço na luta pela socialização dos deficientes visuais. A iniciativa valoriza a comunicação, divulgando e ampliando o acesso ao Braile.

A transcrição é realizada pela Central de Braile dos Correios, e pode ocorrer em ambos os sentidos, tinta para braile e braile para tinta. Ela inicia suas atividades com capacidade de transcrição de 1000 mensagens por mês, desde um cartão de felicitações até uma carta. O serviço é gratuito, assim como o envio para a central de transcrições. Apenas é cobrado o valor da postagem para o destino desejado, ou seja, o mesmo valor de uma correspondência normal.

As correspondências a serem transcritas deverão ser enviadas a partir de qualquer agência dos Correios de todo o Brasil, para o seguinte endereço: Av. Afonso Pena, 1270 - sala 202 - Belo Horizonte/MG - Cep 30130-971 - Central de Braile dos Correios. Os atendentes das agências estão aptos a orientar sobre esse serviço.



Fonte: Documentário sobre o Bicentenário do Braile exibido no Globo News


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O IMPACTO DA PERDA DA VISÃO NA VIDA DO PACIENTE



POR: Dr. Jorge Mitre

As consequências que a perda da visão acarreta podem ser irreversíveis. Médicos não devem se demitir da responsabilidade de ajudar seus pacientes a ultrapassar barreira psicológica

O paciente chega ao nosso consultório com descolamento de retina no seu único olho. Apresenta-se, num misto de angústia e esperança, acompanhado de vários familiares. Explica que não pode faltar ao trabalho. É engenheiro e está prestes a fechar um grande projeto para a companhia da qual é diretor que vai melhorar a sua posição financeira e hierárquica na empresa.

Quem de nós não se viu em tal situação?

Aí você opera três vezes o paciente, a retina não cola e ele perde a visão.
Diante de lamentável situação, qual é a sua conduta?

A) Dá alta para o paciente.
B) Encaminha-o a outro colega para se ver livre dele.
C) Encaminha-o para curso de braile.
D) Explica que o chip para visão artificial está quase a ser implementado como opção para o tratamento.
E) Nenhuma das anteriores.

Se você optou pela alternativa E, acertou.

A nossa posição diante do paciente RETINIANO é muito mais complexa do que normalmente entendemos como correta.

Nesse exemplo, além da perda da visão, que é o mais importante órgão dos sentidos, responsável por 90% da nossa comunicação com o mundo, o paciente perdeu o emprego, a sua posição social, o seu ganho financeiro, a sua independência, ou seja, perdeu TUDO.

Nas próximas linhas, quero pedir à classe de retinólogos para que todos encarem o problema de forma mais abrangente e tentem amenizar o sofrimento desse paciente especial.

A psiquiatria, embora esteja apta a lidar com perdas, raramente tem a oportunidade de observar passo a passo as reações e conseqüências da catástrofe na vida de um paciente com perda total da visão.

A necessidade de uma profunda reorganização psicológica do paciente que perdeu totalmente a visão requer ajuda urgente para que ele possa enfrentar o drama que interfere em todos os aspectos de sua vida. Mesmo o indivíduo mais saudável mentalmente deverá utilizar mecanismos importantes para a sua adaptação à cegueira.

Luis Cholden foi um dos maiores estudiosos no assunto (Cholden, L.S. (1984) - A Psychiatrist Works with Blindness, 4 ed. American Foundation for the blind, New York, 1984). Segundo o autor, existem três fases comportamentais após a perda visual:

Fase 1:

Aparece com o choque da cegueira. É o estado de imobilidade psicológica, descrito como “proteção emocional anestésica”. Seria impossível colocar um limite de tempo nesta fase, mas ele sentiu que quanto mais longa fosse a fase do choque, mais prolongado e difícil seria o processo de reabilitação.

Fase 2:
É a fase de depressão, envolve sentimentos de autopiedade, pensamentos suicidas. O paciente começa a se confidenciar, e precisa dessas confidências. Nesta fase o paciente começa a apresentar retardo psicomotor pela dificuldade em deambular e se situar no ambiente.

Segundo Cholden, as fases 1 e 2 de choque e depressão são necessárias para o paciente lidar com a cegueira no estágio seguinte.

Fase 3:
É a fase permanente e se divide em três categorias psicopatológicas:
Lesão psicológica
3A - Prolongamento da fase 2, ou seja, a “depressão”. Agora, uma depressão masoquista. Nessa situação, o indivíduo perde toda a sua identidade e passa a viver sem objetivos para a vida, simplesmente vegeta.
3B - É a exacerbação das desordens características ocasionadas pela perda da visão. O paciente se torna um dependente crônico de outras pessoas do seu convívio social, ou seja, não faz mais nada sozinho. O paciente não consegue se integrar à nova situação.
3C - Neste estado psicopatológico, o paciente se une a outros cegos e forma um grupo que “representa” ou se intitula representantes de uma minoria contra aquilo que consideram “um mundo hostil e sem consideração das pessoas com visão normal para as pessoas sem visão”, ou seja, são aqueles que se revoltam com a situação e culpam os outros.

O que o estudo mostra é que na fase 3, se nada for feito para a reabilitação do paciente, a lesão psicológica que a cegueira produz pode se tornar irreversível.

Em outro estudo, Fitzgerald estudou as reações à cegueira de forma científica, e descreve quatro fases de reação:

Fase de descrença: o paciente tende a negar a sua cegueira.
Fase de protesto: o paciente procura uma segunda opinião e se recusa a usar objetos de auxílio, como bengala ou braile.
Fase de depressão:quando o paciente já sabe que não vai mais enxergar. Os sintomas são: perda de peso, alteração do apetite, idéias suicidas e ansiedade paranóica.
Fase de recuperação: É quando o paciente aceita a cegueira num estágio em que não se percebe nenhum quadro psiquiátrico.

Para chegar nessa fase, estima-se que demora de dez meses a um ano.

Conclusões
Observa-se que o caminho para o nosso paciente aceitar a cegueira é longo e espinhoso e, mesmo com um desenrolar bom, o sofrimento do processo de aceitação é de, em média, um ano. Isso, veja bem, na melhor das hipóteses.

A possibilidade de a grande maioria desenvolver um distúrbio psicopatológico é enorme e muitas vezes irreversível.

O caminho é reintegrá-lo na sociedade de maneira que se torne um cidadão digno e consciente das suas limitações.


Fonte: Revista Universo Visual



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O MAIOR INIMIGO DO GLAUCOMA É O USO INADEQUADO DE COLÍRIO


Apesar das diversas formas de terapias clínicas empregadas no tratamento do glaucoma, esta doença ainda figura entre as principais causas de cegueira no mundo, constituindo um grande problema de saúde pública. Avaliações recentes sobre o impacto desta patologia demonstraram que representa a segunda causa de cegueira em todo o mundo. Só nos Estados Unidos, devido ao envelhecimento populacional, é estimado que haverá 50% mais glaucomatosos nos próximos 15 anos, mostrando que esta é uma doença de elevado impacto econômico para a sociedade.

Por ser uma patologia crônica, o glaucoma apresenta problemas de fidelidade ao tratamento, que é influenciado por fatores como conhecimento sobre a doença, técnica correta de instilação e o custo das medicações.

Doença x tratamento

O glaucoma é causado pelo aumento da pressão intra-ocular, geralmente devido a um bloqueio do fluído no interior do olho. Com o tempo, isso causa dano ao nervo óptico e, se não for devidamente tratado, leva à perda gradual e irreversível da visão. A doença, apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal causa de cegueira irreversível, atinge cerca de 65 milhões de pessoas em todo o mundo – cerca de 3 milhões só nos Estados Unidos. No Brasil, além de cerca de 1 milhão de glaucomatosos, existe um potencial enorme de portadores sem diagnóstico.

Os fatores de risco são histórico familiar, pressão intra-ocular elevada, idade, diabetes, lesões oculares, descendência hispânica ou africana e uso prolongado de esteróides.

O glaucoma é uma doença crônica que não tem cura, mas na maioria dos casos pode ser controlada com tratamento adequado e contínuo. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de se evitar a perda da visão. O tratamento clínico inicial é feito com colírios que baixam a pressão intra-ocular. A terapia com laser é indicada quando o tratamento com o colírio não é capaz de conter os níveis elevados de pressão. O procedimento cirúrgico é a ultima opção de tratamento.

A instilação inadequada de colírios, além do prejuízo na terapêutica anti-glaucomatosa, implica em elevado custo do tratamento, fator este que limita ainda mais a aderência do paciente ao tratamento, com conseqüente insucesso terapêutico. O simples fato de instilar duas gotas de colírio, ao invés da única recomendada pelo oftalmologista, duplica o preço do tratamento se agregar valor terapêutico. Uma avaliação do custo real do tratamento do glaucoma demonstrou que pacientes em tratamento clínico para o glaucoma gastam em média 11% da renda familiar mediana anual.

O estudo, realizado com o objetivo de identificar as principais variáveis que interferem na instilação correta do colírio anti-glaucomatoso, objetivando intervir nestes fatores para que o paciente possa usufruir de um tratamento mais eficaz e menos dispendioso, concluiu que 60% dos pacientes que participaram da mostra instilam o colírio de forma inadequada devido a falta de orientação, ardor produzido pela droga (65%), além da falta de uma pessoa para colocar o colírio.


Fonte: Instituto da Visão - UNIFESP


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MENINA ENXERGA PELA PRIMEIRA VEZ APÓS TRATAMENTO COM CÉLULAS-TRONCO


Menina britânica de dois anos de idade que nasceu cega teve sua visão reparada graças a um tratamento com células-tronco.

Dakota Clarke, natural da cidade de Newtownabbey, na Irlanda do Norte, nasceu com displasia septo óptica, uma deficiência rara no nervo ótico que provoca cegueira. Ela foi submetida a um tratamento no hospital de Qingdao, na China. Segundo a família, que arrecadou dinheiro por meio de doações para a operação na China, o tratamento e a cirurgia não são realizados na Grã-Bretanha.

O tratamento, que custa mais de US$ 40 mil, utiliza células-tronco retiradas do cordão umbilical da criança e injetadas na corrente sangüínea e corrigem as células danificadas. Após o tratamento, Dakota Clarke conseguiu ver contornos e cores dos objetos e distinguir luzes à sua volta.

O método, conhecido como IV, foi desenvolvido pela empresa americana de biotecnologia Beike Biotech, que realiza tratamentos em 24 hospitais na China. "Nós não achávamos que o método IV sozinho seria capaz de realizar tantos benefícios. Mas a experiência no caso de Dakota está nos fazendo repensar completamente o uso do IV", disse o diretor de comunicação da Beike Biotech, Jon Hakim, ao jornal britânico "Daily Telegraph".

Os pais de Dakota, Darren e Wilma, disseram no blog que mantêm sobre a filha, que o tratamento tem funcionado como um "milagre". Segundo o Daily Telegraph, apenas cerca de 15 pessoas passaram por este tipo de tratamento, que ainda é considerado experimental.

O jornal afirma que na Grã-Bretanha muitos médicos criticam o método, por não se saber se os efeitos do tratamento são duradouros.


FONTE: http://www.cmdv.com.br/


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MENINO CEGO UTILIZA A AUDIÇÃO PARA "VER O MUNDO"


Um menino britânico cego de 7 anos conseguiu aprender a "ver" objetos usando sua audição. Lucas Murray estala sua língua e usa o eco provocado pelos objetos para construir o cenário em seu entorno. A técnica é semelhante à do sonar usado por morcegos e golfinhos.

Lucas estala sua língua no céu da boca, e pelo som que escuta do eco ele consegue descobrir a distância, a forma, a densidade e a posição dos objetos. A técnica, conhecida como "ecolocalização", ajudou Lucas, que nasceu cego, a jogar basquete e a escalar montanhas.

Ele aprendeu o sistema com o californiano Daniel Kish, de 43 anos, que fundou uma organização não governamental internacional de ajuda aos cegos. Os pais de Lucas, Sarah e Iain, viram Kish em um programa de TV e o convidaram para visitar o filho em sua cidade, Poole, no sul da Grã-Bretanha.

"O Lucas é capaz de estalar sua língua para determinar onde as coisas estão ao seu entorno e o que são essas coisas. Ele é capaz de se movimentar confortavelmente sem ter que se segurar em outras pessoas", afirma Kish. "O estalo basicamente emite um som que reflete no ambiente um pouco como o flash de uma câmera", explica.

Lucas consegue determinar a distância dos objetos ao estimar o tempo que o eco leva para voltar e é capaz de estimar a localização do objeto sabendo em que ouvido o eco é percebido primeiro.

A densidade e a forma do objeto é percebida pela intensidade do som que retorna. Um objeto que se move para mais longe cria um som com volume mais baixo, e um objeto que se aproxima cria um som com volume mais alto.

Segundo Kish, Lucas determina as qualidades de um objeto pelas características do som que ele consegue perceber. "Ele joga basquete, é capaz de acertar a bola na cesta com os estalos da língua. Ele consegue jogar muito bem", afirma Kish. Para ele, a mobilidade alcançada por Lucas é "extraordinária".

 
fonte: WWW.TERRA.COM.BR


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OLHO BIÔNICO AJUDA CEGO A VER LUZES



Um britânico de 73 anos que há 30 anos estava completamente cego voltou a ver a luz depois de colocar um olho biônico criado por uma empresa norte-americana. A invenção deve trazer esperança para muita gente. É uma microcâmera montada nos óculos que transmite imagens para eletrodos implantados na retina.

O próximo passo será implantar uma câmera diretamente no olho do paciente. Há uma década os cientistas tentam desenvolver protótipos que possam restaurar a visão, mandando imagens diretamente para o cérebro. O olho biônico é a última geração desses aparelhos, e foi implantada com sucesso em 18 pacientes cegos nos Estados Unidos, México e também na Europa. O britânico Ron fez o implante há sete meses. Ele disse que voltou a ver a luz pela primeira vez em 30 anos. Ron parou de enxergar devido à retinite pigmentosa, uma doença degenerativa que afeta a visão.


Os médicos implantaram 60 eletrodos microscópicos na retina dele. Imagens captadas por uma câmera nos óculos são transmitidas para eletrodos que estimulam o nervo óptico. Ron consegue ver flashes de luz e objetos brancos. A mulher dele, Tracy, conta que Ron consegue separar as roupas claras. Ele também vê linhas brancas no chão. O cirurgião Lyndon da Cruz diz que, por enquanto, o olho biônico só funciona para quem tem o nervo óptico intacto. O porta-voz da empresa que fabrica o aparelho acredita que em 50 anos o olho biônico permitirá que os pacientes leiam e reconheçam rostos.


 
Fonte: Globo.com

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BASHIR RAMATHAN - BOXEADOR CEGO



Por Jeffery Gettleman

No centro de uma academia decadente de Kampala, Uganda, onde o cheiro de mofo é forte e os fracos não são bem-vindos, Bashir Ramathan move-se para os lados, para frente e para trás, com suas luvas socando furiosamente, tentando encontrar o alvo. Os golpes atingem seus braços, seu peito, sua face coberta de suor. Mas seus punhos continuam voando - completamente no escuro.

"Tome cuidado com o meu gancho!", ele alerta. "É rápido! É certeiro! Cuidado!"

Ramathan é completamente cego, e ele é um boxeador de peso médio. Isso soa improvável, e perigoso, mas é a forma que ele tem de lidar com sua deficiência.

Esse forte e barbado pedreiro das favelas de Uganda não tem medo, e chama todos os outros boxeadores da academia para lutar pau-a-pau com ele - desde que eles usem vendas. Recentemente, um outro lutador, e bem treinado nisso, amarrou uma camiseta suada em volta do rosto, e ele e Ramathan lutaram vários rounds, trocando alguns socos no rosto.

Houve também alguns violentos golpes no ar e em um determinado momento, os dois boxeadores ficaram de costas um para o outro, socando como loucos na direção errada.

Ramathan disse que ele tenta perceber cheiros e sons, como o barulho dos tênis e o calor da respiração do seu oponente.

"Bashir luta com o cérebro", explica o técnico, Hassan Khalil.

"Ele tem talento", disse Monica Abey, uma jovem lutadora que treinou com ele.

Mas a história desse Rocky ugandense não tem nada a ver com o boxe, na verdade. É a história sobre como um homem que perdeu a visão inesperadamente há 12 anos deixou de ser uma figura sombria sentada num barraco de um quarto à espera de que alguns órfãos cozinhassem sua próxima tigela de mingau para transformar-se numa inspiração em todo o país.

Onde quer que ele faça sua corrida matinal, usando os shorts sobre a calça de moletom no velho estilo dos boxeadores, com um menino de 12 anos correndo ao seu lado, servindo como guia, as pessoas saem de suas barracas de verdura e das cabines de telefone para assoviar e gritar com alegria para ele.

Não há rampas nem cães de guia aqui. O terreno é irregular com rochas aqui e acolá, enlameado em alguns lugares, pedregoso em outros. Mesmo para aqueles com visão a perfeita, é difícil andar sem tropeçar. Mas de alguma forma Ramathan consegue, orientando-se entre as sarjetas e as bocas-de-lobo escorregadias, os caminhões da Pepsi parados como montes no meio das alamedas e os táxis de bicicleta maníacos que surgem nas ruas sem aviso. Há alguns anos ele levou uma fechada de um carro. Seu joelho direito ainda dói. Mas ele continua treinando.

Oficiais da comunidade de cegos de Uganda dizem que Ramathan tornou-se um herói para cerca de 500 mil ugandenses cegos.

"Eis um homem que está mostrando que a cegueira não é o fim do mundo", diz Francis Kinubi, presidente da Associação de Esportes para Cegos de Uganda.

Ele diz que Ramathan está ajudando a chamar atenção e levantar fundos extremamente necessários. Esse ano, a associação não poderá participar dos Jogos Paraolímpicos em Pequim porque ela não tinha US$ 200 para dar início ao processo de inscrição, muito menos do que o necessário para cobrir as passagens de avião, um sinal evidente da escassez de recursos para os deficientes na maior parte da África.

Ramathan, que diz ter 36 ou 37 anos, ele não sabe ao certo, vem de Naguru, um bairro pobre fora do centro de Kampala, capital de Uganda.

Naguru é conhecido por seus morros de terra vermelha, favelas de teto de zinco e suas mãos rápidas.

Uganda tem uma tradição forte de luta, que vem desde a época do cruel ditador Idi Amim, que era um boxeador peso-pesado. E dentro de Uganda, Naguru produziu alguns dos melhores pugilistas do país, como John (A Fera) Mugabi, que lutou nos Estados Unidos e quase derrotou Marvin Hagler, e Michael Obin, um campeão nacional peso médio-ligeiro.

Inúmeros lutadores aspirantes de Naguru pulam corda, puxam pesos enferrujados e treinam seus golpes em academias construídas com blocos de cimento e mal iluminadas, espremidas entre barracos, que guardam todo as glórias ingloriosas do submundo do boxe: os sacos de pancada murchos, os narizes achatados e os sonhos grandiosos das crianças de rua.

Ramathan cresceu lutando. Seus pais morreram quando ele era criança.

Ele saiu da escola para construir muros de tijolo. Ficou conhecido em Naguro como um grande atleta - um excelente jogador de futebol e um lutador temido.

Mas em 1996, algo estranho aconteceu. Ele teve fortes dores de cabeça. Foi a um médico, e recebeu a notícia de que estava ficando cego.

"Primeiro meu olho direito, depois o esquerdo", disse. "Então a escuridão, tudo escuro. Só preto, preto, preto."

O médico disse que não havia nada que ninguém em Uganda pudesse fazer para ajudá-lo.

Sua mulher deixou-o logo em seguida, e seus irmãos e irmãs também o abandoaram. "Eles tinham seus próprios problemas", explicou Ramathan.

Sem nenhum seguro por parte do governo, ele sobreviveu com o equivalente a alguns dólares por semana doados pela mesquita local.

Órfãos da vizinhança vinham a seu barraco para ajudá-lo a cozinhar.

Ele passou muito tempo dentro de casa.

"Fiquei triste a princípio, mas então descobri que havia muitas outras pessoas cegas", disse. Há dois anos, ele decidiu voltar para o ringue.

Por quê?

"Eu queria ficar em forma", disse.

Seu jab pode ser duro. Seu jogo de pés pode ser claro. Mas a introspecção não parece ser o forte de Ramathan.

Sua vida é simples. Ele come, dorme, reza, luta. Quando soca o saco pesado, deixa marcas impressionantes, do tamanho de melões, no couro.

Em Uganda, a linha entre o boxe amador e profissional não é muito definida, e alguns lutadores ganham algumas centenas de dólares lutando em clubes noturnos locais. No ano passado, Ramathan foi a atração principal de uma luta beneficente que ajudou a levantar US$ 2.600 para sua academia, a East Coast Boxing Club. Ele lutou contra um profissional - vendado, é claro. E venceu por pontos.

Desde então, jornalistas de toda a África vieram atrás dele.

Com um sorriso longo e branco, ele se lembra em particular de uma repórter sul-africana que dançou com ele do lado de fora de seu barraco. Recentemente, uma equipe de cinema holandesa começou a fazer um filme sobre ele. Graças à publicidade, uma de suas ex-namoradas - ele parece ter muitas, além de cinco filhos - agora quer reatar o relacionamento. Ainda assim, Ramathan diz que trocaria tudo isso por dois olhos que funcionassem.

"As pessoas acham que estou fingindo", disse. "Ela pensam que estou fazendo isso para chamar atenção ou ganhar dinheiro. Mas eu não estou fingindo. Eu quero enxergar, como elas."

Seu plano agora é começar sua própria liga internacional de boxe para cegos.

"Se os cegos podem fazer luta livre ou lançar dardos", diz ele, referindo-se a dois esportes bem estabelecidos entre os cegos, "por que não podem lutar boxe?"

Alguém recentemente contou a ele sobre um boxeador cego na vizinha Tanzânia. Ramathan está tentando encontrá-lo. Ele também está pensando além da África.

"Há muitos cegos nos Estados Unidos, certo?" perguntou. "Você acha que algum deles vai querer lutar comigo?"

Tradução: Eloise De Vylder
Visite o site do The New York Times


FONTE: http://www.cmdv.com.br/

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LOUIS BRAILLE



Todo mundo tem ouvido falar sobre o Sistema "Braille" para os cegos. Mas, poucas pessoas sabem porque ele é chamado Braille ou quem era Louis Braille.

No ano de 1812, nasceu um menino chamado Louis Braille. Vivia ele em Coupvray uma pequena cidade a 40 Km de Paris-França. O pai de Louis tinha uma loja, onde se fabricavam artigos de couro. Um dia em que brincava na referida loja, tendo em uma das mãos uma sovela, instrumento cortante, caiu, enterrando a ponta do instrumento em um dos olhos. Mais tarde, contudo, tornou-se cego dos dois olhos. Embora tivesse apenas sete ou oito anos, já era obrigado a andar com uma bengala.

O povo de sua cidadezinha se apiedava, quando o via tão pequeno completamente cego, seguindo seu caminho pelas ruas com uma bengala, a fim de encontrar sua direção.

Poucos anos depois Louis entrou para uma escola para cegos em Paris, Lá aprendeu a ler, isto é, aprendeu a reconhecer as vinte e seis letras, sentindo-as com os dedos. Mas as letras tinham muitas polegadas (cerca de 20cm de largura e altura). Este era naturalmente um sistema muito primitivo de ler. Um artigo pequeno enchia inúmeros livros e cada livro pesava de 3 a 5Kg. 
Mais tarde, Louis tornou-se professor nesta escola. Ele, todavia, ansiava por encontrar um sistema de leitura bem melhorado para o cego, mas isto não era fácil. Um dia, em visita à sua casa, ele disse a seu pai: "as pessoas cegas são as mais isoladas do mundo. Eu posso descrever um pássaro distinguindo-o de outro pelo som. Eu posso conhecer a porta de uma casa sentindo-a com a minha mão. Mas há inúmeras coisas que eu não posso ouvir nem sentir. Somente os livros podem libertar os cegos. Mas não há livros para lermos".

Um dia, porém, estava ele sentado em um restaurante com um amigo, que o ouvia ler, pacientemente, um artigo de um jornal. Este artigo era sobre Charles Barbier um capitão do Exército, que tinha um sistema de escrever, o qual podia ser usado no escuro. Ele o chamava Escrita da Noite (night-writing).

Na Night-Writing o capitão usava um sistema de pontos e traços. Os pontos e traços eram construídos no papel, assim a pessoa podia senti-los com seus dedos. Quando Louis ouviu falar sobre isto, ficou muito excitado. Começou a falar e a soluçar.
- "Por favor Louis", disse seu amigo. "O que há? Todos estão olhando para você".
- "Finalmente eu encontrei a resposta para o problema do cego", disse. "Agora o cego pode ser livre".

No dia seguinte Louis foi orientar-se com o Capitão do Exército e perguntou-lhe sobre seu sistema. O Capitão explicou-lhe que usava um punção ou estilete, instrumento com ponta afiada para fazer os furos e tracinhos num papel grosso. Uma pessoa qualquer poderia sentir os furos e traços no outro lado do papel. Certas marcas significavam uma coisa, outras marcas, outras coisas. O instrumento que o capitão usava era do mesmo tipo, que o ferira quando brincava há tantos anos antes.

- "Estou certo de poder usar este sistema, disse Louis, para ajudar as pessoas cegas a ler e lhes dar livros".

Este foi um maravilhoso dia para Louis. Mais tarde ele começou a estudar este novo sistema para usá-lo com o cego.

Estudou diferentes maneiras de fazer os furos e traços sobre o papel. Finalmente, conseguiu um sistema simples, no qual usava seis furos em diferentes posições dentro deste espaço. Ele podia fazer 63 combinações diferentes. Cada combinação indicava uma letra do alfabeto ou uma pequena palavra. Havia também combinações para indicar marcas de pontuação, etc. Breve, Louis escreveu um livro usando o Sistema Braille.

Primeiramente o povo não acreditou, que o Sistema de Louis Braille fosse possível ou prático. Uma vez Louis falou diante de um grupo de pessoas. Ele lhes mostrou como podia escrever fazendo estes furos no papel quase ao mesmo tempo que alguém lesse alguma coisa para ele. Mas não lhe deram crédito, afirmavam ser impossível fazer isso. Disseram inclusive que Louis decorava o que lhe ditavam. Em toda parte era a mesma coisa, as pessoas não acreditaram nele. Em alguns casos por uma razão ou por outra, eles não queriam acreditar. Até o Governo Francês não queria ouvir nada sobre o Sistema de Louis. Disseram que já estavam fazendo todo o possível para o cego.

Louis continuou sempre a trabalhar com seu Sistema.

Agora ele já era um homem doente. Cada ano tornava-se mais doente. Porém, trabalhava e trabalhava com seu Sistema para torná-lo melhor.

Ele construiu um Sistema de pontos para Matemática e Música. 
Um dia, uma moça que nascera cega, tocava piano, magnificamente, diante de um grande auditório. Todos se encantaram. Então, a moça lhes disse que não deveriam agradecê-la, por tocar tão bem. Deveriam fazê-lo a Louis Braille, só ele tornou possível o seu aprendizado e sua perfeição no piano. Ela lhes disse também que naquele momento Louis Braille era um pobre homem cansado e doente. Ele estava às portas da morte. 
Subitamente, depois de tantos anos todos começaram a se interessar pelo Sistema de Louis Braille. Os jornais escreveram artigos sobre ele. O Governo interessou-se também pelo Sistema de leitura para cegos. Amigos foram visitá-lo contando o que acontecera. Louis começou a chorar alto, dizendo:
- "Esta é a terceira vez em minha vida que eu choro. A primeira, quando tornei-me cego. A segunda, quando ouvi falar sobre 'night-writing' e agora porque sei que minha vida não foi um fracasso."

Poucos dias depois Louis Braille morreu. Tinha, ao falecer, apenas 43 anos de idade.
 



FONTE: The Story of Louis Braille

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A IMPORTÂNCIA DAS AVDs NA EDUCAÇÃO E NA REABILITAÇÃO DE DEFICIENTES VISUAIS




I- Introdução.
Na educação da criança cega ou portadora de visão subnormal, cabe ressaltar a importância da Atividade de Vida Diária - AVD, cujo objetivo é proporcionar à criança condições para que, dentro de suas potencialidades, possa formar hábitos de auto-suficiência que lhe permitam participar ativamente do ambiente em que vive.

Ao nascer, a criança encontra-se num estado de dependência total, situação esta que, gradativamente, desaparece com seu crescimento e, já na fase pré-escolar, começa a alimentar-se, vestir-se, ir ao banheiro sozinha e escovar os dentes sem necessitar de ajuda ou apenas com ajuda parcial. Em relação à criança cega ou portadora de visão subnormal, como isso ocorre? Como proporcionar-lhe a satisfação de necessidades tão fundamentais? Quais os anseios e dificuldades experimentados pelos pais em tais circunstâncias? Na educação da criança cega ou de visão subnormal destacamos a Atividade de Vida Diária - AVD - como área específica de atendimento, por julgarmos indispensável ao seu ajustamento social.

Se os hábitos à mesa, a postura, a adequação para se vestir e a higiene pessoal são comportamentos adaptativos, há necessidade de um treinamento intensivo, porque a criança cega pode apresentar atitudes inadequadas em algumas dessas situações. Sem dúvida, ela, no espaço maior ou menor de tempo, acabará por realizar as mesmas tarefas que as de visão normal, tomando-se em conta, é claro, as diferenças individuais e a restrita capacidade de imitação de quem não vê. Muitos pais, diante das dificuldades de seus filhos, tornam-se superprotetores e, assim, impedem a criança de vivenciar experiências que contribuirão para sua autonomia.

É de grande importância a realização de um trabalho com os pais, paralelamente ao que é feito com seus filhos, através de encontros e/ou reuniões, oportunizando-lhes a prática das Atividades de Vida Diária, com eles desenvolvidas na escola. Enquanto professora nesta área, fiz com que os pais vivenciassem uma atividade de vida diária de olhos vendados, explicando-lhes sempre que tal circunstância não era, nem pretendia ser, representativa da cegueira, a fim de evitar que, pela associação desta com a escuridão total, desenvolvessem ou aumentassem o sentimento de piedade por seus próprios filhos.

A experiência foi proveitosa, pois eles sentiram e perceberam algumas dificuldades, medos e inseguranças de seus filhos cegos ou de visão subnormal e, assim, encontraram a melhor maneira de ajudá-los e orientá-los em casa, nunca impedindo de realizarem algumas atividades aparentemente perigosas para quem enxerga mas, ao contrário, motivando-os sempre, contribuindo assim, cada vez mais, para sua independência e conscientizando-se de que, também, são elementos importantíssimos no processo de aprendizagem de seus filhos.

E a situação do indivíduo portador de deficiência visual adquirida na idade adulta?
Por vezes, a perda da visão é gradativa, dando condições a que o indivíduo, aos poucos, processe a sua readaptação. No entanto, não são raros os casos de cegueira súbita, por acidentes ou etiologias diversas. Como tais pessoas nada sabem sobre a cegueira, não compreendem como possam continuar a viver no mundo que eles aprenderam a construir e entender através dos olhos. A reabilitação dessas pessoas é um desafio para elas, familiares e educadores, no sentido do ajustamento à sua nova condição de vida, visando minimizar os efeitos psico-sociais causados pela perda visual.


II - Atividade de Vida Diária (AVD)
"Vestir meias é complicado, até para quem não tem problemas de coordenação. Mesmo que não pareça, o ato de vestir meias envolve uma série de passos. Por isso, a professora ajuda Lia colocando a meia até o calcanhar. Só falta ela dar o último puxão. Na próxima vez, a professora coloca a meia no pé e Lia precisará puxá-la até o calcanhar e depois para cima. Mais um pouco e ela já conseguirá vestir meia sozinha". (Windholz, 1988.)

A criança só aprende aquilo que vive concretamente. É importante que ela faça suas próprias descobertas através da manipulação, exploração do ambiente físico-social. Para isso podem e devem ser exploradas situações referentes à alimentação, higiene pessoal, saúde, segurança, às atividades domésticas e ao vestuário.

Assim, através do treinamento em A.V.D., a criança cega e de visão subnormal aprende, entre outras coisas: localizar os alimentos no prato; cortar alimentos; controlar a quantidade de comida do prato sem derramar; controlar a quantidade de comida no talher; servir-se à mesa; encher copos e garrafas; receber visitas; vestir-se adequadamente; cuidar de sua aparência pessoal; caminhar, sentar e gesticular de maneira adequada; prevenir-se contra acidentes e remediá-los.

II.1 Algumas Atividades Específicas.
II.1.1- Alimentação:

Beber líquido com auxílio de canudos;
Ingerir alimentos pastosos (sopa, mingau);
Morder e mastigar biscoitos;
Mastigar pão;
Descascar e mastigar bananas;
Beber liquídos usando o copo;
Espetar com o garfo alimentos e levá-los à boca;
Colocar em seu prato alimentos que estejam numa vasilha maior;
Usar a faca para passar manteiga (patê ou etc) no pão ou biscoito;
Alimentar-se usando garfo e faca;
Servir-se de líquidos contidos numa jarra ou garrafa;
Usar a faca para descascar e cortar frutas, legumes e pão;
Mastigar de boca fechada;
Usar o guardanapo para limpar a boca, após as refeições.

II.1.2- Higiene:
Pedir para ir ao banheiro e usar o vaso sanitário (de modo adequado);
Limpar-se após o uso do vaso sanitário;
Lavar e enxugar as mãos usando água, sabonete e toalha;
Lavar e enxugar o rosto;
Escovar os dentes;
Pentear os cabelos;
Tomar banho;
Trocar diariamente as roupas de baixo;
Cortar as unhas regularmente, com auxílio;
Reconhecer as roupas que estão sujas e lavá-las.

II.1.3 - Vestuário:
Brincar com bonecas despindo-as e vestindo-as;
Despir-se e vestir-se;
Desatar os cordões dos sapatos;
Tirar os sapatos e as meias;
Calçar meias e sapatos;
Identificar os seus sapatos entre vários outros pares;
Engraxar sapatos;
Manejar diversos tipos de botões (em tamanhos grandes) utilizados nas peças do vestuário;
Abrir e fechar zíper de casacos ou vestidos;
Abrir e fechar fivelas de seus próprios cintos;
Retirar e colocar blusas que entrem pelo decote, reconhecendo a parte de trás pela etiqueta que deve estar presa;
Guardar roupas em gavetas
Colocar camisas, blusas e vestidos em cabides.

II.1.4 - Saúde e Segurança:
Reconhecer a importância do médico e do dentista;
Reconhecer a importância dos exames de saúde e submeter-se a eles quando necessário;
Tomar adequadamente os remédios indicados;
Reconhecer alguns instrumentos médicos, como termômetro, balança etc;
Reconhecer e saber para que serve gaze, algodão, esparadrapo, tesoura, mercúrio cromo, água oxigenada etc;
Cuidar de pequenos arranhões ou ferimentos;
Organizar uma caixa de primeiros socorros;
Discar e falar ao telefone;
Atender sinal de chamado (campainha, telefone);
Subir e descer escadas com cuidado, segurando o corrimão;
Riscar fósforos para acender velas e fogões;
Saber utilizar o fogão em atividades simples, apagando-o convenientemente ao término da tarefa;
Ligar e desligar o rádio e a televisão.

II.1.5- Atividades Domésticas:
Varrer o chão;
Usar a pá de lixo;
Colocar o lixo na lixeira;
Lavar o chão;
Limpar as mesas e as cadeiras;
Limpar e arrumar o armário;
Arrumar a cama;
Colocar fronha no travesseiro;
Lavar e passar roupas;
Tampar garrafas;
Preparar a mesa para as refeições;
Preparar pequenas refeições;
Fazer pequenas compras ( feiras e supermercados).


Fonte: http://www.bengalalegal.com/a-v-d.php


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CAMPANHA ALEITAMENTO MATERNO


S.O.S. AUTISMO


AS MÃOS PODEM DIZER MUITA COISA...


COMO DIAGNOSTICAR TRAÇOS DE AUTISMO


FAÇA AGORA!!!


DIA MUNDIAL DE COMBATE AO CÂNCER


SER PSICÓLOGO...


AO INVÉS DE APONTAR O DEDO...


PALAVRAS TAMBÉM FEREM...